HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Julia tem 48 anos de idade e procura atendimento no Ambulatório relatando dor em mãos e pés há quatro meses. Ao exame físico, há artrite em punhos e tornozelos, além de metacarpofalangeanas proximais das mãos. Ela veio à consulta acompanhada de sua amiga Marlene, de 52 anos, que tem a mesma queixa, mas ao exame apresenta também lesões cutâneas eritêmato-descamativas em cotovelos, dorso e couro cabeludo, além de distrofia ungueal e artrite em interfalangeanas distais. Em relação aos casos das amigas, assinale a alternativa correta.
AR (MCF, punhos) ≠ AP (IFD, psoríase); ambos podem usar DMARDs como metotrexato.
A artrite reumatoide e a artrite psoriásica são doenças inflamatórias crônicas com apresentações clínicas distintas, mas que compartilham opções terapêuticas devido a mecanismos inflamatórios semelhantes. O metotrexato, por exemplo, é um DMARD (Disease-Modifying Antirheumatic Drug) eficaz em ambas as condições.
A artrite reumatoide (AR) e a artrite psoriásica (AP) são duas das mais prevalentes doenças reumáticas inflamatórias crônicas, com etiologias autoimunes e mecanismos fisiopatológicos complexos. A AR afeta predominantemente mulheres, caracterizando-se por poliartrite simétrica de pequenas e grandes articulações, com predileção por metacarpofalangeanas, interfalangeanas proximais e punhos, podendo levar a deformidades e incapacidade funcional. A AP, por sua vez, é uma espondiloartrite que ocorre em indivíduos com psoríase cutânea ou história familiar, apresentando um espectro clínico mais heterogêneo, incluindo artrite periférica (com destaque para interfalangeanas distais), dactilite, entesite e acometimento axial. O diagnóstico diferencial entre AR e AP é crucial, baseando-se em achados clínicos, laboratoriais (fator reumatoide, anti-CCP na AR; marcadores inflamatórios inespecíficos em ambas) e de imagem. A fisiopatologia de ambas envolve a ativação de células imunes e a produção de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL-17 e IL-23, que levam à sinovite e destruição articular. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir o dano articular irreversível e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento de ambas as condições visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir o dano articular e preservar a função. Os medicamentos modificadores do curso da doença (DMARDs) convencionais, como o metotrexato, sulfassalazina e leflunomida, são a base do tratamento para muitos pacientes, atuando na modulação da resposta imune. Em casos de falha terapêutica ou doença mais agressiva, os imunobiológicos (como os inibidores de TNF-alfa) representam uma opção eficaz, sendo utilizados tanto na AR quanto na AP, o que justifica a sobreposição de tratamentos apesar dos diagnósticos distintos.
A artrite reumatoide tipicamente afeta pequenas articulações de forma simétrica (MCF, IFP, punhos), enquanto a artrite psoriásica pode ser assimétrica, afetar as interfalangeanas distais, e está associada a lesões cutâneas e ungueais de psoríase, dactilite e entesite.
DMARDs (Disease-Modifying Antirheumatic Drugs) são medicamentos que modificam o curso da doença, como metotrexato, sulfassalazina e leflunomida. Eles atuam modulando a resposta imune e inflamatória para reduzir a progressão da doença e o dano articular.
Imunobiológicos são indicados para pacientes com artrite reumatoide ou psoriásica que não respondem adequadamente aos DMARDs convencionais, ou em casos de doença mais grave e progressiva, visando bloquear citocinas específicas ou células inflamatórias.
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