Artrite Reativa por Sífilis: Diagnóstico em Adolescentes

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Durante consulta na UBS você atende uma adolescente de 16 anos, com a vida sexual ativa, apresentando dor, aumento de volume e calor na articulação coxofemoral direita, migrando para o joelho do mesmo lado e se fixando no cotovelo direito. Tem histórico de não usar preservativo durante as relações. Os exames laboratoriais identificam VDRL 1:64, com provas de atividades inflamatórias elevadas. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Artrite reativa pós estreptocócia.
  2. B) Lúpus eritematoso sistémico.
  3. C) Febre reumática.
  4. D) Artrite reativa associada a sífilis.

Pérola Clínica

Adolescente sexualmente ativo + poliartrite migratória + VDRL reagente em alta titulação → pensar em artrite reativa por sífilis.

Resumo-Chave

A sífilis é conhecida como 'a grande imitadora' e pode se manifestar com quadros reumatológicos, especialmente em sua fase secundária. A artrite reativa é uma manifestação rara, mas que deve ser considerada em pacientes com fatores de risco e sorologia positiva.

Contexto Educacional

A sífilis, causada pelo Treponema pallidum, é uma infecção sexualmente transmissível com diversas apresentações clínicas, sendo chamada de 'a grande imitadora'. O acometimento articular, embora raro, pode ocorrer principalmente na fase secundária da doença, quando há disseminação hematogênica do treponema. O quadro clínico da artrite sifilítica geralmente é de uma poliartrite migratória e assimétrica, acometendo grandes articulações. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com comportamento de risco, quadro articular compatível e confirmado por testes sorológicos. O VDRL (um teste não treponêmico) costuma estar em títulos elevados (≥ 1:32), indicando doença ativa, e deve ser confirmado com um teste treponêmico como o FTA-ABS. O tratamento adequado com Penicilina G Benzatina leva à resolução completa do quadro articular e previne a progressão para as formas tardias da doença. É fundamental a notificação compulsória, o tratamento do(s) parceiro(s) e a orientação sobre práticas sexuais seguras para interromper a cadeia de transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da artrite reativa por sífilis?

Geralmente se apresenta como uma poliartrite ou oligoartrite assimétrica e migratória, afetando grandes articulações como joelhos, tornozelos e cotovelos. Pode haver dor, edema e calor local, acompanhados de provas de atividade inflamatória elevadas.

Qual o tratamento para a sífilis secundária com manifestação articular?

O tratamento é o mesmo da sífilis secundária sem acometimento articular, realizado com Penicilina G Benzatina, 2.4 milhões de UI, intramuscular, em dose única. O controle de cura é feito com a queda dos títulos do VDRL.

Como diferenciar a artrite por sífilis de outras artrites reativas?

A diferenciação se baseia na história clínica, epidemiologia e exames sorológicos. Enquanto outras artrites reativas são associadas a infecções geniturinárias (Chlamydia) ou gastrointestinais (Salmonella, Shigella), a artrite sifilítica é confirmada por sorologias para sífilis (VDRL e FTA-ABS).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo