Artrite Reativa: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2021

Enunciado

Renato de 30 anos, procedente de Paraguaçu, procura a Santa Casa com relato de há 1 semana ter iniciado com quadro de astenia, febre baixa, oligoartrite assimétrica nos membros inferiores, daquitilite em mãos e pés associado a disúria e hiperemia ocular, qual o diagnóstico mais provável para este paciente:

Alternativas

  1. A) Lupus eritematoso sistêmico.
  2. B) Sarcoidose aguda.
  3. C) Artrite reativa.
  4. D) Doença de behçet

Pérola Clínica

Artrite reativa = oligoartrite assimétrica + daquitilite + uretrite + conjuntivite pós-infecção.

Resumo-Chave

A artrite reativa (anteriormente Síndrome de Reiter) é uma espondiloartropatia soronegativa caracterizada por uma tríade clássica de artrite, uretrite e conjuntivite, que se desenvolve após uma infecção gastrointestinal ou geniturinária. A presença de oligoartrite assimétrica, daquitilite, disúria e hiperemia ocular no paciente jovem é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A artrite reativa, anteriormente conhecida como Síndrome de Reiter, é uma espondiloartropatia soronegativa caracterizada por uma artrite inflamatória estéril que se desenvolve após uma infecção em outro local do corpo, geralmente gastrointestinal ou geniturinária. É mais comum em adultos jovens e tem uma prevalência significativa, sendo uma causa importante de artrite aguda. Sua importância clínica reside no reconhecimento precoce para evitar cronicidade e sequelas. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada a antígenos bacterianos em indivíduos geneticamente predispostos (especialmente HLA-B27 positivos). O diagnóstico é clínico, baseado na tríade clássica de artrite, uretrite e conjuntivite, embora nem todos os pacientes apresentem todos os componentes. A oligoartrite assimétrica, predominantemente em membros inferiores, daquitilite (inflamação de um dedo inteiro) e entesite são achados comuns. A história de infecção prévia é crucial. O tratamento da artrite reativa é sintomático, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como primeira linha. Em casos mais graves ou persistentes, podem ser usados corticosteroides, sulfassalazina ou metotrexato. O prognóstico é variável; muitos pacientes se recuperam completamente, mas uma parcela pode desenvolver doença crônica ou recorrente. É fundamental diferenciar de outras artrites para um manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da artrite reativa?

As manifestações clássicas incluem oligoartrite assimétrica (especialmente em membros inferiores), entesite, daquitilite ("dedo em salsicha"), uretrite, conjuntivite e lesões mucocutâneas (balanite circinada, ceratodermia blenorrágica).

Qual a relação entre infecção e artrite reativa?

A artrite reativa é desencadeada por uma infecção prévia, geralmente gastrointestinal (ex: Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter) ou geniturinária (ex: Chlamydia trachomatis), ocorrendo semanas após a infecção inicial.

Qual o papel do HLA-B27 na artrite reativa?

O antígeno HLA-B27 está presente em cerca de 30-50% dos pacientes com artrite reativa, conferindo uma predisposição genética à doença e associando-se a um curso mais grave e crônico.

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