Artrite Reativa: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 32 anos, há duas semanas com febre, astenia, dor, edema e limitação no joelho direito que evoluiu de forma aditiva para o tornozelo esquerdo há uma semana. Referia HAS e dislipidemia em uso de hidroclorotiazida e sinvastatina. Há 4 semanas teve diarreia líquida durante 5 dias, melhorando após uso de ciprofloxacino. Ao exame, apresentava artrite em joelho direito e tornozelo esquerdo, além de lesões hiperceratóticas em pés e mãos. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) artrite gotosa, visto que os antecedentes de uso de tiazídico e de dislipidemia sugerem este diagnóstico.
  2. B) artrite reativa, sendo o quadro infeccioso intestinal o fator desencadeante.
  3. C) artrite gonocócica, pois em homem adulto jovem é a principal causa de oligoartrite e na maioria dos casos a uretrite é assintomática.
  4. D) artrite reumatoide de início recente, devendo-se aguardar a evolução do caso para confirmação diagnóstica.
  5. E) artrite psoriática e a biópsia de pele é exame imprescindível para confirmar este diagnóstico

Pérola Clínica

Artrite aditiva + diarreia prévia + lesões hiperceratóticas = Artrite Reativa (Síndrome de Reiter).

Resumo-Chave

A artrite reativa é uma espondiloartropatia que se manifesta após uma infecção, geralmente gastrointestinal ou geniturinária. O quadro clínico típico inclui oligoartrite assimétrica, aditiva, predominantemente em membros inferiores, associada a manifestações extra-articulares como conjuntivite, uretrite e lesões cutâneas (ceratodermia blenorrágica).

Contexto Educacional

A artrite reativa, anteriormente conhecida como Síndrome de Reiter, é uma espondiloartropatia inflamatória estéril que se desenvolve após uma infecção em outro local do corpo, geralmente gastrointestinal ou geniturinária. É mais comum em adultos jovens e está fortemente associada ao alelo HLA-B27. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada a antígenos bacterianos em indivíduos geneticamente predispostos. O quadro clínico clássico inclui a tríade "não consigo ver, não consigo urinar, não consigo subir numa árvore" (conjuntivite, uretrite e artrite), embora nem todos os sintomas estejam sempre presentes. A artrite é tipicamente assimétrica, oligoarticular e afeta principalmente as articulações dos membros inferiores, com um padrão aditivo. Lesões cutâneas como ceratodermia blenorrágica e balanite circinada são patognomônicas. O diagnóstico é clínico, baseado na história de infecção prévia e nas manifestações articulares e extra-articulares. O tratamento é sintomático, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e, em casos refratários, corticosteroides ou drogas modificadoras da doença. É crucial reconhecer a condição para evitar tratamentos inadequados e iniciar o manejo correto.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da artrite reativa?

A artrite reativa tipicamente apresenta oligoartrite assimétrica, aditiva, que afeta principalmente as grandes articulações dos membros inferiores, além de manifestações extra-articulares como conjuntivite, uretrite e lesões mucocutâneas (ceratodermia blenorrágica).

Quais tipos de infecções podem desencadear a artrite reativa?

As infecções mais comuns que desencadeiam a artrite reativa são gastrointestinais (Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter) e geniturinárias (Chlamydia trachomatis).

Como diferenciar a artrite reativa de outras artrites?

A diferenciação se baseia na história de infecção prévia, no padrão da artrite (assimétrica, aditiva, membros inferiores) e na presença de manifestações extra-articulares específicas, como as lesões hiperceratóticas e a ausência de cristais ou bactérias no líquido sinovial.

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