Artrite Reativa: Manifestações Clínicas e Oculares

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 27 anos de idade apresenta quadro de artropatia inflamatória de membros inferiores, associada às alterações de exame clínico mostradas a seguir. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a manifestação ocular mais comum?

Alternativas

  1. A) Conjuntivite.
  2. B) Irite.
  3. C) Ceratite.
  4. D) Neurite.

Pérola Clínica

Artrite Reativa (Síndrome de Reiter) → "Não consigo ver, não consigo urinar, não consigo subir numa árvore" (conjuntivite, uretrite, artrite).

Resumo-Chave

A artrite reativa, classicamente associada à tríade de artrite, uretrite e conjuntivite (Síndrome de Reiter), é uma espondiloartropatia soronegativa desencadeada por infecções. A conjuntivite é a manifestação ocular mais comum, embora irite/uveíte anterior também possam ocorrer.

Contexto Educacional

A artrite reativa, anteriormente conhecida como Síndrome de Reiter, é uma espondiloartropatia soronegativa que se manifesta como uma artropatia inflamatória estéril, desencadeada por uma infecção prévia, geralmente gastrointestinal ou geniturinária. É mais comum em homens jovens e está associada ao antígeno HLA-B27 em uma parcela dos pacientes. A tríade clássica inclui artrite, uretrite e conjuntivite, embora nem todos os pacientes apresentem todas as manifestações. As manifestações clínicas da artrite reativa são diversas. A artrite é tipicamente assimétrica, oligoarticular, afetando principalmente as grandes articulações dos membros inferiores. Além da uretrite e conjuntivite, podem ocorrer lesões mucocutâneas como balanite circinada, ceratodermia blenorrágica (lesões psoriásicas nas palmas e plantas), e lesões orais. A conjuntivite é a manifestação ocular mais comum, geralmente bilateral, autolimitada e não purulenta, mas uveíte anterior (irite) também pode ocorrer, sendo mais grave. O tratamento da artrite reativa é principalmente sintomático, com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para a artrite. Em casos mais graves ou persistentes, podem ser utilizados corticosteroides, sulfassalazina ou metotrexato. O prognóstico é variável, com muitos pacientes apresentando remissão completa, enquanto outros podem desenvolver doença crônica ou recorrente. O manejo das infecções desencadeantes é importante, mas o tratamento antibiótico da infecção inicial nem sempre previne a artrite reativa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da artrite reativa?

A artrite reativa é caracterizada por uma artropatia inflamatória assimétrica, predominantemente de membros inferiores, frequentemente acompanhada de uretrite/cervicite, conjuntivite e lesões mucocutâneas, como balanite circinada e ceratodermia blenorrágica.

Quais infecções podem desencadear a artrite reativa?

As infecções mais comuns que desencadeiam a artrite reativa são gastrointestinais (por Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter) e geniturinárias (por Chlamydia trachomatis).

Como a artrite reativa é diagnosticada e qual o papel do HLA-B27?

O diagnóstico é clínico, baseado na presença de artrite após uma infecção. Não há um teste específico. O HLA-B27 está presente em cerca de 30-50% dos pacientes com artrite reativa e confere maior risco de doença mais grave e crônica, mas não é diagnóstico por si só.

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