Artrite por Chikungunya: Diagnóstico e Manejo Clínico

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 38 anos de idade, refere dor e edema em punhos, segundas metacarpofalangeanas, joelhos e tornozelos há 2 meses. Relata que o quadro iniciou com febre de 38ºC, mialgia, artralgia, fraqueza e mal estar geral que durou 1 semana com regressão desses sintomas sendo seguidos do quadro articular. Nega xerostomia, xeroftalmia, fotossensibilidade, queixas respiratórias, cardiovasculares e urinárias. Foi realizado pesquisa de fator reumatoide, anticorpos contra antígenos nucleares e sorologia para dengue negativos. De acordo com a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Solicitar anti Ro e iniciar hidroxicloroquina e leflunomida.
  2. B) Solicitar anti CCP e iniciar metrotrexato e anti TNF. 
  3. C) Solicitar sorologia para Chikungynya e iniciar prednisona e hidroxicloroquina. 
  4. D) Solicitar anti DNA e iniciar hidroxicloroquina e ciclofosfamida.

Pérola Clínica

Poliartrite simétrica + pródromo viral + sorologias reumáticas/Dengue negativas → Suspeitar Chikungunya.

Resumo-Chave

O quadro de poliartrite simétrica, especialmente em punhos, metacarpofalangeanas, joelhos e tornozelos, precedido por um pródromo viral (febre, mialgia, mal-estar) e com sorologias reumáticas e para Dengue negativas, é altamente sugestivo de artrite por Chikungunya. A conduta inclui a confirmação sorológica e o tratamento sintomático, que pode envolver corticoides e hidroxicloroquina para casos persistentes.

Contexto Educacional

A artrite por Chikungunya é uma manifestação comum e por vezes debilitante da infecção pelo vírus Chikungunya, um arbovírus transmitido por mosquitos Aedes. Caracteriza-se por uma poliartrite simétrica que pode persistir por meses ou anos, impactando significativamente a qualidade de vida. É crucial para residentes reconhecerem o padrão clínico para um diagnóstico e manejo adequados, especialmente em áreas endêmicas. A fisiopatologia envolve a replicação viral em células sinoviais e macrófagos, levando a uma resposta inflamatória intensa nas articulações. O quadro clínico típico inicia-se com febre alta, mialgias e cefaleia (pródromo viral), seguido por poliartralgia e poliartrite, que pode ser migratória ou aditiva. O diagnóstico é confirmado por sorologia (IgM e IgG) ou RT-PCR. É fundamental diferenciar de outras arboviroses (Dengue, Zika) e doenças reumáticas autoimunes, que geralmente apresentam sorologias específicas positivas. O tratamento da artrite por Chikungunya é principalmente sintomático, visando o alívio da dor e inflamação. Na fase aguda, analgésicos e AINEs são utilizados. Para a fase crônica e persistente, podem ser indicados corticoides em baixas doses e, em casos refratários, medicamentos como a hidroxicloroquina, que modulam a resposta imune. A reabilitação física também é importante para manter a função articular e prevenir deformidades.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da artrite por Chikungunya que a diferenciam de outras artrites?

A artrite por Chikungunya tipicamente se manifesta como uma poliartrite simétrica e aditiva, afetando pequenas e grandes articulações, frequentemente punhos, metacarpofalangeanas, joelhos e tornozelos. É comum ser precedida por um pródromo febril e mialgias, e as sorologias para fatores reumáticos e outras arboviroses podem ser negativas.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da infecção por Chikungunya?

O diagnóstico laboratorial é feito pela detecção do RNA viral por RT-PCR nos primeiros dias da doença ou pela pesquisa de anticorpos IgM e IgG específicos para Chikungunya no soro. O IgM geralmente se torna detectável a partir do 5º dia de sintomas e o IgG após 2-3 semanas.

Qual é a abordagem terapêutica para a artrite crônica associada ao Chikungunya?

Para a artrite crônica por Chikungunya, o tratamento é sintomático e pode incluir anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), analgésicos, fisioterapia e, em casos mais persistentes ou graves, corticoides em baixas doses ou drogas modificadoras da doença (DMARDs) como a hidroxicloroquina.

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