AIJ e Uveíte: Fatores de Risco e Rastreio Oftalmológico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Sobre a artrite juvenil idiopática, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A uveíte é frequente na forma sistêmica (doença de Still).
  2. B) A presença de fator antinuclear positivo na forma pauciarticular de início precoce aumenta o risco de desenvolvimento de uveíte.
  3. C) A gravidade da uveíte está diretamente relacionada com o grau de acometimento articular.
  4. D) A ceratopatia em faixa é uma complicação rara.

Pérola Clínica

AIJ Oligoarticular + FAN(+) → ↑ Risco de Uveíte Anterior Crônica (assintomática).

Resumo-Chave

A uveíte na AIJ é frequentemente insidiosa e assintomática, exigindo exames periódicos com lâmpada de fenda, especialmente em meninas com início precoce e FAN positivo.

Contexto Educacional

A Artrite Juvenil Idiopática (AIJ) engloba um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias articulares que persistem por mais de 6 semanas em menores de 16 anos. A forma oligoarticular é a mais comum e carrega o maior risco de uveíte anterior crônica, uma inflamação do trato uveal que pode levar à perda visual permanente se não detectada precocemente. O manejo clínico exige uma abordagem multidisciplinar entre reumatologistas pediátricos e oftalmologistas. O rastreio é guiado pelo risco: pacientes FAN positivos devem realizar exames oftalmológicos trimestrais nos primeiros anos de doença. O tratamento da uveíte envolve corticoides tópicos e, frequentemente, imunossupressores ou biológicos para controle da inflamação sistêmica e ocular.

Perguntas Frequentes

Qual o principal fator de risco laboratorial para uveíte na AIJ?

O principal marcador laboratorial de risco para o desenvolvimento de uveíte anterior crônica na Artrite Juvenil Idiopática (AIJ) é a presença do Fator Antinuclear (FAN) positivo. Pacientes com a forma oligoarticular (pauciarticular) de início precoce (antes dos 6 anos) e sexo feminino apresentam o maior risco. Como a uveíte costuma ser assintomática (olho branco e indolor), o rastreio sistemático com exame de lâmpada de fenda é obrigatório para evitar complicações graves como catarata, glaucoma e cegueira.

A uveíte é comum na Doença de Still (AIJ sistêmica)?

Não, a uveíte é uma manifestação rara na forma sistêmica da AIJ, também conhecida como Doença de Still. A forma sistêmica caracteriza-se por febre alta diária, rash cutâneo evanescente, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e serosite. A uveíte anterior crônica é classicamente associada às formas oligoarticular e poliarticular com FAN positivo.

O que é a ceratopatia em faixa na AIJ?

A ceratopatia em faixa é uma complicação ocular decorrente da uveíte crônica prolongada e mal controlada na AIJ. Caracteriza-se pela deposição de sais de cálcio na camada de Bowman da córnea. Embora seja uma complicação tardia, não é considerada rara em pacientes com inflamação ocular crônica negligenciada, sinalizando um prognóstico visual reservado.

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