Artrite Idiopática Juvenil Sistêmica: Diagnóstico em Crianças

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021

Enunciado

Escolar de 8 anos é levado à consulta pediátrica por febre e dificuldade de deambular. Seus responsáveis referem quadro que se repete há pelo menos dois meses: um a dois picos diários de febre noturna (39,5ºC) que cede rapidamente de forma espontânea, seguidos de manchas em forma de linhas avermelhadas no tronco, não pruriginosas, que desaparecem em, no máximo, uma hora. Além disso, relatam dificuldade no início da deambulação, em especial ao acordar. Ao exame, o escolar encontra-se em regular estado geral, hipocorado 2+/4+, com boa perfusão periférica; há hepatoesplenomegalia; as articulações de tornozelos, joelhos, cotovelo esquerdo e ombro direito apresentam dor, edema, calor, rubor e limitação do movimento. Exame físico restante sem alterações. O diagnóstico mais provável, nesse caso, é:

Alternativas

  1. A) lúpus eritematoso sistêmico
  2. B) artrite idiopática juvenil
  3. C) doença de Kawasaki
  4. D) febre reumática

Pérola Clínica

Febre noturna diária + rash evanescente + artrite + hepatoesplenomegalia em criança → AIJ sistêmica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre noturna diária com picos elevados, rash cutâneo evanescente, artrite e hepatoesplenomegalia em um escolar é altamente sugestivo de Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) sistêmica, também conhecida como Doença de Still de início juvenil.

Contexto Educacional

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância, e a forma sistêmica (também conhecida como Doença de Still de início juvenil) é a mais grave, caracterizada por manifestações articulares e extra-articulares proeminentes. O diagnóstico é clínico e de exclusão, exigindo alta suspeição em crianças com febre prolongada e sintomas sistêmicos. O quadro clássico inclui febre alta diária (geralmente noturna), rash cutâneo evanescente (maculopapular, não pruriginoso, que aparece e desaparece rapidamente), artrite (oligo ou poliarticular), e manifestações sistêmicas como hepatoesplenomegalia, linfadenopatia e serosite (pericardite, pleurite). A dificuldade de deambulação ao acordar sugere rigidez matinal, típica da artrite inflamatória. O manejo da AIJ sistêmica é complexo, envolvendo anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), corticosteroides e, frequentemente, agentes biológicos (como inibidores de IL-1 ou IL-6) para controlar a inflamação sistêmica e prevenir danos articulares. O reconhecimento precoce é crucial para iniciar o tratamento e evitar complicações graves, como a síndrome de ativação macrofágica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Artrite Idiopática Juvenil sistêmica?

A AIJ sistêmica é diagnosticada pela presença de artrite em uma ou mais articulações por pelo menos seis semanas, em crianças com menos de 16 anos, acompanhada de febre diária por pelo menos duas semanas, com pelo menos uma das seguintes manifestações: rash evanescente, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia ou serosite.

Como diferenciar AIJ sistêmica de febre reumática?

A febre reumática geralmente segue uma infecção estreptocócica e apresenta artrite migratória, cardite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A AIJ sistêmica tem febre diária alta, rash evanescente, hepatoesplenomegalia e artrite persistente, sem evidência de infecção estreptocócica recente.

Quais exames complementares auxiliam no diagnóstico da AIJ sistêmica?

Exames podem revelar anemia, leucocitose com neutrofilia, trombocitose e elevação de marcadores inflamatórios (VHS, PCR). Fator reumatoide e anticorpos antinucleares são geralmente negativos na forma sistêmica. A exclusão de outras causas de febre e artrite é fundamental.

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