FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
Menina, 3 anos de idade, tem dor, calor e edema em joelhos e tornozelo direito há 6 semanas. Tem febre nesse período, às vezes por 3 a 4 dias seguidos. A mãe refere que prefere ficar em ambiente com menos luz e tem lacrimejamento, embora não tenha hiperemia em conjuntivas ou secreção ocular. A hipótese diagnóstica mais provável é
Artrite + febre + sintomas oculares (fotofobia/lacrimejamento) em criança = suspeitar de Artrite Idiopática Juvenil.
A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância. A apresentação pode ser variada, incluindo artrite persistente, febre e, em alguns subtipos (especialmente oligoarticular), uveíte assintomática, que pode se manifestar com fotofobia ou lacrimejamento e requer rastreamento oftalmológico regular.
A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância, caracterizada por artrite persistente em uma ou mais articulações por pelo menos seis semanas, em crianças com menos de 16 anos, após a exclusão de outras causas. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais, e sua importância clínica reside no potencial de causar danos articulares permanentes e complicações extra-articulares, como a uveíte. A AIJ é classificada em sete subtipos, cada um com características clínicas, prognósticas e terapêuticas distintas. A apresentação pode variar desde artrite em poucas articulações (oligoarticular) até envolvimento sistêmico com febre alta e rash (AIJ sistêmica). A uveíte anterior crônica é uma complicação ocular grave, frequentemente assintomática, que pode levar à cegueira se não diagnosticada e tratada precocemente. Sintomas como fotofobia e lacrimejamento, mesmo sem hiperemia, devem levantar a suspeita e indicar encaminhamento para avaliação oftalmológica com lâmpada de fenda. O tratamento da AIJ visa controlar a inflamação, prevenir danos articulares e oculares, e melhorar a qualidade de vida da criança. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), corticosteroides, drogas modificadoras da doença (DMARDs) convencionais e biológicas. O prognóstico depende do subtipo da doença, da resposta ao tratamento e da presença de complicações, sendo fundamental o acompanhamento multidisciplinar.
Os principais subtipos são AIJ sistêmica, oligoarticular, poliarticular (fator reumatoide positivo ou negativo), psoriásica, relacionada à entesite e indiferenciada, cada um com características clínicas e prognósticas distintas.
A uveíte é uma complicação grave da AIJ, especialmente nos subtipos oligoarticular e poliarticular FR negativo, e frequentemente é assintomática. Pode se manifestar com fotofobia, lacrimejamento ou visão turva, exigindo rastreamento oftalmológico regular com lâmpada de fenda.
A diferenciação envolve a duração dos sintomas (AIJ > 6 semanas), ausência de infecção (como na artrite séptica) ou outras doenças sistêmicas (como febre reumática), e a presença de achados específicos de cada subtipo de AIJ.
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