FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menina, 4 anos de idade, queixa-se de dor em joelho e tornozelo direitos há 1 mês, chegando a claudicar nas últimas 2 semanas, período em que apresentou picos febris esporádicos. Foi avaliada por ortopedista e, ao exame, apresenta edema e aumento da temperatura nas articulações referidas. A ultrassonografia mostrou aumento do líquido sinovial no joelho. De acordo com a principal hipótese diagnóstica, essa criança tem alto risco de apresentar
AIJ oligoarticular → alto risco de uveíte anterior crônica assintomática, exigindo rastreamento oftalmológico regular.
O quadro clínico de artrite em joelho e tornozelo por mais de 1 mês, com picos febris e sinais inflamatórios articulares em uma criança de 4 anos, é altamente sugestivo de Artrite Idiopática Juvenil (AIJ), provavelmente na forma oligoarticular. A principal complicação extra-articular da AIJ oligoarticular é a uveíte anterior crônica, que frequentemente é assintomática e pode levar à cegueira se não diagnosticada e tratada precocemente.
A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância, caracterizada por artrite persistente sem causa conhecida. A forma oligoarticular, que afeta quatro ou menos articulações nos primeiros seis meses da doença, é a mais frequente e tem um perfil de risco específico para complicações extra-articulares. A fisiopatologia da AIJ envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em inflamação sinovial crônica. O diagnóstico é clínico, baseado na exclusão de outras causas e na persistência da artrite. A suspeita deve surgir em crianças com dor articular, edema, calor ou limitação de movimento por mais de 6 semanas. O manejo da AIJ visa controlar a inflamação, preservar a função articular e prevenir complicações. A uveíte anterior crônica é a complicação extra-articular mais séria da AIJ oligoarticular, especialmente em meninas jovens com FAN positivo. Ela é frequentemente assintomática, tornando o rastreamento oftalmológico regular com exame de lâmpada de fenda crucial para a detecção precoce e tratamento, evitando danos visuais permanentes.
A AIJ é diagnosticada pela presença de artrite em uma ou mais articulações por pelo menos 6 semanas, em pacientes com menos de 16 anos, após exclusão de outras causas de artrite. A classificação dos subtipos é importante para o prognóstico.
A uveíte anterior crônica na AIJ oligoarticular é frequentemente assintomática, mas pode causar danos oculares irreversíveis, incluindo cegueira, se não for detectada e tratada precocemente. O rastreamento regular é vital.
A frequência do rastreamento depende do subtipo de AIJ e da presença de anticorpos antinucleares (FAN). Em AIJ oligoarticular com FAN positivo, o rastreamento é a cada 3-4 meses, enquanto em FAN negativo pode ser a cada 6 meses.
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