Artrite Idiopática Juvenil: Diagnóstico e Manejo Clínico

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Durante atendimento no CAIC, um menino de 8 anos, branco é trazido pelos pais com queixa de inchaço no joelho esquerdo há quase dois meses. A mãe relata que o menino acorda com rigidez e dificuldade para andar pela manhã, mas melhora ao longo do dia. Ao exame físico, o paciente apresenta marcha claudicante, edema e limitação de movimentos no joelho direito, sem sinais de infecção ou outras alterações sistêmicas. Os exames laboratoriais mostram: FAN positivo (1:320); ASLO = 800 U Todd (normal até 300 U). Demais exames sem alterações relevantes. Com base nesses achados, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Púrpura trombocitopênica idiopática.
  2. B) Artrite gonocócica.
  3. C) Artrite idiopática juvenil.
  4. D) Síndrome de Sjögren.

Pérola Clínica

Artrite >6 sem + rigidez matinal + FAN+ em criança = AIJ (risco ↑ de uveíte).

Resumo-Chave

A AIJ oligoarticular é a forma mais comum em crianças, caracterizada pelo acometimento de até 4 articulações. O FAN positivo é um marcador crucial de risco para uveíte anterior assintomática.

Contexto Educacional

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) engloba um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias crônicas que se manifestam antes dos 16 anos. A fisiopatologia envolve uma desregulação imunológica levando à sinovite crônica. O diagnóstico é essencialmente clínico, exigindo a exclusão de outras causas de artrite (infecciosa, reativa, neoplásica). O manejo foca no controle da inflamação para prevenir danos articulares permanentes e garantir o crescimento adequado. O uso de AINEs é comum na fase inicial, mas metotrexato e agentes biológicos (anti-TNF) são fundamentais em casos refratários ou com fatores de mau prognóstico. O rastreio oftalmológico é mandatório devido ao risco de uveíte silenciosa.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a AIJ da Febre Reumática?

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) apresenta curso crônico (mais de 6 semanas), rigidez matinal prolongada e frequentemente FAN positivo. Já a Febre Reumática manifesta-se com uma artrite aguda, migratória, intensamente dolorosa e autolimitada, geralmente associada a evidências de infecção estreptocócica recente e seguindo os critérios de Jones. O ASLO elevado isoladamente não confirma Febre Reumática, podendo estar presente em outras condições ou apenas indicar contato prévio com o estreptococo.

Qual a importância do FAN positivo na AIJ?

Em pacientes com Artrite Idiopática Juvenil, especialmente no subtipo oligoarticular, a presença do FAN (Fator Antinuclear) positivo não é necessária para o diagnóstico da artrite em si, mas é o principal fator de risco para o desenvolvimento de uveíte anterior crônica. Esta condição é frequentemente assintomática e pode levar à cegueira se não detectada precocemente, exigindo exames periódicos com lâmpada de fenda pelo oftalmologista.

Quais os critérios para classificar a AIJ como oligoarticular?

A AIJ é classificada como oligoarticular quando há o acometimento de uma a quatro articulações durante os primeiros seis meses de doença. É o subtipo mais frequente, ocorrendo predominantemente em meninas pré-escolares. Pode ser subdividida em persistente (mantém até 4 articulações após 6 meses) ou estendida (acomete mais de 4 articulações após o período inicial de 6 meses).

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