SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Uma criança de 3 anos de idade chega ao ambulatório com queixa de dores e inchaço nos joelhos e tornozelos há cerca de 6 meses. Teve episódios de febre baixa no período. Já se submeteu a vários tratamentos com frequentes recaídas. Que outros sinais ou sintomas clínicos podem indicar pior prognóstico?
AIJ: Acometimento de quadris, coluna cervical, sacroilíacas, ou doença sistêmica grave → pior prognóstico funcional.
Em Artrite Idiopática Juvenil, o envolvimento de grandes articulações como o quadril, especialmente em crianças pequenas, é um marcador de pior prognóstico funcional a longo prazo, indicando maior risco de deformidades e necessidade de intervenções mais agressivas.
A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é a doença reumática crônica mais comum na infância, caracterizada por artrite persistente por pelo menos 6 semanas em crianças menores de 16 anos. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais. A importância clínica reside na prevenção de danos articulares irreversíveis, deformidades e complicações extra-articulares, como a uveíte, que podem comprometer a qualidade de vida da criança. O diagnóstico da AIJ é clínico, baseado nos critérios da International League of Associations for Rheumatology (ILAR), que classificam a doença em sete subtipos. A suspeita deve surgir em crianças com dor e inchaço articular persistentes, claudicação ou limitação de movimento. A avaliação inclui exames laboratoriais (VHS, PCR, FAN, FR) e de imagem (radiografias, ultrassonografia, ressonância magnética) para avaliar a extensão e a gravidade do acometimento. O tratamento da AIJ visa controlar a inflamação, aliviar a dor, preservar a função articular e prevenir danos. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), corticosteroides, drogas modificadoras da doença (DMARDs) como metotrexato e agentes biológicos. Fatores de pior prognóstico, como o acometimento do quadril, da coluna cervical ou das articulações sacroilíacas, e a presença de doença sistêmica grave, exigem uma abordagem terapêutica mais agressiva e um acompanhamento rigoroso para otimizar os resultados funcionais e a longo prazo.
Os principais subtipos incluem oligoarticular, poliarticular (FR+ e FR-), sistêmica, psoriásica, relacionada à entesite e indiferenciada, cada um com características clínicas e prognósticas distintas.
O envolvimento do quadril na AIJ está associado a maior risco de dor crônica, limitação funcional grave, necessidade de cirurgias e pior qualidade de vida devido à sua importância na mobilidade e sustentação de peso.
Uveíte anterior é comum na AIJ oligoarticular e pode levar à cegueira se não tratada. Febre, rash e esplenomegalia são típicas da AIJ sistêmica, indicando atividade inflamatória sistêmica.
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