Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Escolar, sexo feminino, com 5 anos, é trazida pelos pais, que relatam dor e inchaço no joelho direito há, aproximadamente, 3 meses. A dor é pior pela manhã, com rigidez que melhora ao longo do dia, e não há relato de febre, trauma recente ou dor em outras articulações. Os pais, inicialmente, pensaram que eram “dores de crescimento”. Considerando a história clínica da paciente, qual é a conduta inicial mais adequada?
Mono/oligoartrite crônica + rigidez matinal em crianças → Suspeitar de Artrite Idiopática Juvenil (AIJ).
A AIJ oligoarticular é a forma mais comum em meninas pré-escolares. A investigação inicial foca em confirmar o processo inflamatório e estratificar o risco de uveíte via FAN.
A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) engloba um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias articulares com início antes dos 16 anos e duração superior a 6 semanas. O subtipo oligoarticular (acometimento de até 4 articulações nos primeiros 6 meses) é o mais prevalente, afetando majoritariamente meninas jovens. A fisiopatologia envolve uma desregulação autoimune que leva à sinovite crônica. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas os exames laboratoriais são cruciais para excluir diagnósticos diferenciais (como artrite séptica ou leucemia) e para o manejo a longo prazo. O tratamento visa o controle da inflamação, prevenção de deformidades e monitoramento rigoroso de manifestações extra-articulares, especialmente a uveíte, que pode levar a sequelas graves se não detectada precocemente.
A dor da Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é tipicamente inflamatória, apresentando-se com rigidez matinal prolongada (geralmente >30 minutos) e melhora com a movimentação ao longo do dia. Frequentemente há sinais logísticos como edema e calor local. Já a dor de crescimento ocorre predominantemente à noite, é bilateral, não apresenta sinais inflamatórios ao exame físico e não causa limitação funcional ou rigidez matinal, sendo um diagnóstico de exclusão.
Na AIJ, o Fator Antinuclear (FAN) não é utilizado para o diagnóstico da doença em si, mas sim como um marcador de risco para o desenvolvimento de uveíte anterior crônica assintomática. Pacientes com AIJ oligoarticular e FAN positivo apresentam o maior risco de complicações oculares, necessitando de rastreamento oftalmológico periódico com lâmpada de fenda para evitar cegueira, já que a uveíte costuma ser silenciosa.
A conduta inicial envolve a solicitação de hemograma completo para avaliar anemia de doença crônica ou leucocitose, e provas de atividade inflamatória como Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e Proteína C Reativa (PCR), que costumam estar elevadas. O FAN é essencial para estratificação de risco ocular. O Fator Reumatoide (FR) é solicitado principalmente em formas poliarticulares para definir prognóstico, sendo raramente positivo na forma oligoarticular.
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