Artrite Idiopática Juvenil: Diagnóstico e Conduta Inicial

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Escolar, sexo feminino, com 5 anos, é trazida pelos pais, que relatam dor e inchaço no joelho direito há, aproximadamente, 3 meses. A dor é pior pela manhã, com rigidez que melhora ao longo do dia, e não há relato de febre, trauma recente ou dor em outras articulações. Os pais, inicialmente, pensaram que eram “dores de crescimento”. Considerando a história clínica da paciente, qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento com analgésicos e fisioterapia, pois a apresentação é compatível com "dores de crescimento" e o quadro é autolimitado.
  2. B) Solicitar hemograma completo, Velocidade de Hemossedimentação (VHS), Proteína C Reativa (PCR) e Fator Antinuclear (FAN).
  3. C) Prescrever um ciclo de antibióticos por 10 dias, considerando a possibilidade de uma infecção bacteriana subclínica.
  4. D) Recomendar repouso absoluto do membro afetado por 2 semanas e reavaliar, evitando qualquer exame nesse período.
  5. E) Realizar radiografia do joelho direito para descartar fratura ou tumor ósseo, antes de qualquer outra investigação.

Pérola Clínica

Mono/oligoartrite crônica + rigidez matinal em crianças → Suspeitar de Artrite Idiopática Juvenil (AIJ).

Resumo-Chave

A AIJ oligoarticular é a forma mais comum em meninas pré-escolares. A investigação inicial foca em confirmar o processo inflamatório e estratificar o risco de uveíte via FAN.

Contexto Educacional

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) engloba um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias articulares com início antes dos 16 anos e duração superior a 6 semanas. O subtipo oligoarticular (acometimento de até 4 articulações nos primeiros 6 meses) é o mais prevalente, afetando majoritariamente meninas jovens. A fisiopatologia envolve uma desregulação autoimune que leva à sinovite crônica. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas os exames laboratoriais são cruciais para excluir diagnósticos diferenciais (como artrite séptica ou leucemia) e para o manejo a longo prazo. O tratamento visa o controle da inflamação, prevenção de deformidades e monitoramento rigoroso de manifestações extra-articulares, especialmente a uveíte, que pode levar a sequelas graves se não detectada precocemente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar a dor da AIJ da dor de crescimento?

A dor da Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) é tipicamente inflamatória, apresentando-se com rigidez matinal prolongada (geralmente >30 minutos) e melhora com a movimentação ao longo do dia. Frequentemente há sinais logísticos como edema e calor local. Já a dor de crescimento ocorre predominantemente à noite, é bilateral, não apresenta sinais inflamatórios ao exame físico e não causa limitação funcional ou rigidez matinal, sendo um diagnóstico de exclusão.

Qual a importância do FAN na Artrite Idiopática Juvenil?

Na AIJ, o Fator Antinuclear (FAN) não é utilizado para o diagnóstico da doença em si, mas sim como um marcador de risco para o desenvolvimento de uveíte anterior crônica assintomática. Pacientes com AIJ oligoarticular e FAN positivo apresentam o maior risco de complicações oculares, necessitando de rastreamento oftalmológico periódico com lâmpada de fenda para evitar cegueira, já que a uveíte costuma ser silenciosa.

Quais exames laboratoriais solicitar na suspeita de AIJ?

A conduta inicial envolve a solicitação de hemograma completo para avaliar anemia de doença crônica ou leucocitose, e provas de atividade inflamatória como Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e Proteína C Reativa (PCR), que costumam estar elevadas. O FAN é essencial para estratificação de risco ocular. O Fator Reumatoide (FR) é solicitado principalmente em formas poliarticulares para definir prognóstico, sendo raramente positivo na forma oligoarticular.

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