Manejo da AIJ Oligoarticular e Risco de Uveíte

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma menina de 3 anos e 6 meses é levada ao pediatra devido a aumento de volume e rigidez no joelho direito há cerca de 10 semanas. A mãe relata que a criança apresenta claudicação logo ao acordar, com melhora progressiva após algumas horas de atividade. Não há história de trauma, febre, perda ponderal ou lesões cutâneas. Ao exame físico, observa-se artrite franca (edema, calor e limitação funcional) no joelho direito e no tornozelo esquerdo, sem outras articulações acometidas. Os exames laboratoriais revelam: Hemoglobina 11,8 g/dL, Leucócitos 9.200/mm³, Plaquetas 410.000/mm³, VHS 38 mm/h, PCR 1,5 mg/dL (valor de referência < 0,5), FAN positivo 1:320 (padrão pontilhado fino) e Fator Reumatoide negativo. A paciente está em uso de Naproxeno em dose anti-inflamatória adequada há 4 semanas, apresentando melhora parcial da dor, mas com persistência do edema articular e da rigidez matinal. Com base no diagnóstico mais provável e no perfil de risco da paciente, qual a conduta mais adequada para o manejo e seguimento?

Alternativas

  1. A) Iniciar Metotrexato subcutâneo imediatamente e realizar avaliação oftalmológica mensal com mapeamento de retina.
  2. B) Manter o uso do Naproxeno por mais 4 semanas e solicitar avaliação oftalmológica semestral com exame de fundo de olho.
  3. C) Indicar infiltração intra-articular com hexacetonida de triancinolona e solicitar avaliação oftalmológica trimestral com lâmpada de fenda.
  4. D) Substituir o Naproxeno por Prednisona oral e realizar avaliação oftalmológica anual com exame de acuidade visual.

Pérola Clínica

AIJ Oligoarticular + FAN+ → Alto risco de uveíte assintomática → Exame com lâmpada de fenda trimestral.

Resumo-Chave

A AIJ oligoarticular em meninas jovens com FAN positivo exige vigilância oftalmológica rigorosa, pois a uveíte associada é frequentemente assintomática e pode levar à cegueira.

Contexto Educacional

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) engloba um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias articulares com início antes dos 16 anos. O subtipo oligoarticular é o mais comum, afetando até 4 articulações nos primeiros 6 meses de doença. O manejo foca na remissão da atividade inflamatória para prevenir danos estruturais e distúrbios de crescimento. A triagem oftalmológica é o pilar da prevenção de sequelas visuais permanentes, sendo a frequência determinada pelo subtipo da artrite, idade de início e presença do marcador FAN.

Perguntas Frequentes

Por que realizar infiltração intra-articular na AIJ?

A infiltração intra-articular com corticoides de depósito (preferencialmente hexacetonida de triancinolona) é o tratamento de escolha para a AIJ oligoarticular persistente. Ela proporciona alívio rápido da inflamação local, melhora a função articular e pode evitar a necessidade de terapia sistêmica prolongada com DMARDs em casos de poucas articulações acometidas.

Qual a relação entre FAN positivo e AIJ?

O Fator Antinuclear (FAN) positivo em pacientes com AIJ não define o diagnóstico da artrite, mas é o principal marcador de risco para o desenvolvimento de uveíte anterior crônica não granulomatosa. Pacientes FAN+ devem ser submetidos a exames oftalmológicos mais frequentes (geralmente a cada 3 meses) para detecção precoce.

Como é feito o rastreio de uveíte na AIJ?

O rastreio deve ser feito obrigatoriamente com exame em lâmpada de fenda (biomicroscopia) por um oftalmologista. A uveíte na AIJ é tipicamente 'branca' (olho não vermelho), indolor e sem sintomas visuais iniciais, tornando o diagnóstico clínico impossível sem o equipamento adequado para visualizar o 'flare' e células na câmara anterior.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo