Uveíte na Artrite Idiopática Juvenil (AIJ): Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 8 anos com diagnóstico de artrite juvenil idiopática, sem outras comorbidades, ainda sem tratamento, apresenta quadro recidivante de uveíte anterior associada a sinéquias posteriores, ceratopatia em faixa e catarata. Qual conduta mais apropriada neste momento dentre as alternativas abaixo?

Alternativas

  1. A) Facectomia com implante de lente intraocular acrílica.
  2. B) Uso de imunomodulador sistêmico.
  3. C) Uso de corticoide oral.
  4. D) Uso de EDTA tópico.

Pérola Clínica

Uveíte na AIJ → Frequentemente assintomática ('olho branco') com alto risco de cegueira.

Resumo-Chave

A uveíte associada à AIJ é tipicamente uma iridociclite crônica não granulomatosa. O manejo de complicações e recidivas graves exige controle inflamatório sistêmico.

Contexto Educacional

A uveíte na AIJ é um desafio terapêutico. O objetivo é 'zero células' na câmara anterior. O tratamento inicial é com corticoides tópicos e midriáticos, mas devido aos efeitos colaterais (catarata e glaucoma), a transição precoce para terapia sistêmica (imunomoduladores) é frequentemente necessária. A cirurgia de catarata nesses pacientes é complexa e só deve ser realizada após pelo menos 3 meses de inatividade inflamatória total.

Perguntas Frequentes

Qual o perfil do paciente com AIJ com maior risco de uveíte?

O maior risco ocorre em meninas com a forma oligoarticular da doença, início precoce (antes dos 6 anos) e positividade para o anticorpo antinuclear (FAN/ANA). Esses pacientes exigem triagem oftalmológica frequente com lâmpada de fenda, mesmo sem queixas visuais.

Quais as complicações oculares mais comuns da AIJ?

As principais complicações incluem a formação de sinéquias posteriores (adesão da íris ao cristalino), catarata subcapsular posterior (pela inflamação ou uso de corticoide), glaucoma secundário e ceratopatia em faixa (deposição de cálcio na membrana de Bowman).

Quando indicar corticoide sistêmico na uveíte por AIJ?

O corticoide sistêmico é indicado em casos de uveíte bilateral grave, refratariedade ao tratamento tópico, ou quando há ameaça imediata à visão e necessidade de controle rápido da inflamação antes de iniciar imunomoduladores de longo prazo (como Metotrexato ou Adalimumabe).

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