Diagnóstico de Artrite Gotosa: Caso Clínico Típico

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Antônio, 65 anos, com hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 e doença articular degenerativa, tem dor aguda intensa das articulações metatarsofalangianas e edema do hálux esquerdo. O exame físico mostra artrite da primeira metatarsiana esquerda com dor, edema, calor e eritema. Não há história de traumatismo ou outros problemas clínicos. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao diagnóstico do paciente:

Alternativas

  1. A) Artrite séptica por gonococos.
  2. B) Artrite reativa por Chlamydia. 
  3. C) Artrite reativa por Borrelia.
  4. D) Artrite gotosa.
  5. E) Artrite por Mycoplasma.

Pérola Clínica

Homem idoso com dor aguda no hálux, comorbidades metabólicas → Artrite gotosa até prova em contrário.

Resumo-Chave

O quadro clínico clássico de artrite aguda monoarticular, especialmente na primeira metatarsofalangiana (podagra), em um paciente idoso com comorbidades como hipertensão e diabetes, é altamente sugestivo de artrite gotosa. Esses fatores de risco aumentam a probabilidade de hiperuricemia.

Contexto Educacional

A artrite gotosa é uma doença inflamatória aguda causada pela deposição de cristais de urato monossódico nas articulações, desencadeando uma resposta inflamatória intensa. É a forma mais comum de artrite inflamatória em homens adultos e idosos, e sua prevalência está associada a fatores como obesidade, hipertensão, diabetes mellitus e uso de diuréticos, todos presentes no caso de Antônio. O quadro clínico típico é de dor súbita e intensa, inchaço, calor e eritema em uma única articulação, frequentemente a primeira metatarsofalangiana (podagra). A ausência de história de traumatismo e a presença de comorbidades metabólicas reforçam a suspeita de gota. O diagnóstico diferencial inclui artrite séptica, pseudogota e outras artrites inflamatórias, mas a apresentação clássica é altamente sugestiva. O manejo inicial da crise aguda envolve o alívio da dor e inflamação com AINEs, colchicina ou corticosteroides. Após o controle da crise, é fundamental abordar os fatores de risco e iniciar terapia para redução dos níveis de ácido úrico, como alopurinol, para prevenir recorrências e complicações a longo prazo, como tofos e artropatia crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para artrite gotosa?

Fatores de risco incluem hiperuricemia, idade avançada, sexo masculino, obesidade, síndrome metabólica (hipertensão, diabetes), consumo excessivo de álcool e certos medicamentos (diuréticos tiazídicos, aspirina em baixas doses).

Como diferenciar artrite gotosa de artrite séptica?

A artrite gotosa geralmente não cursa com febre alta ou calafrios, e a análise do líquido sinovial mostrará cristais de urato e ausência de bactérias, enquanto na artrite séptica haverá leucocitose significativa no líquido e cultura positiva.

Qual a articulação mais comumente afetada na gota?

A articulação mais frequentemente afetada é a primeira metatarsofalangiana do hálux, condição conhecida como podagra, embora outras articulações como joelhos, tornozelos e punhos também possam ser acometidas.

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