HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Homem, 67 anos de idade, em acompanhamento ambulatorial por doença renal crônica, estágio IIIa, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, comparece à consulta queixando-se de dor, eritema e edema em primeiro pododáctilo direito, há cerca de 2 dias. Refere que nunca apresentou quadro semelhante. Nega febre e lesões cutâneas. Está em uso de dipirona, sem melhora do quadro. Ao exame físico apresenta calor, rubor e edema em primeiro pododáctilo direito, sem outras articulações acometidas. Qual é o diagnóstico para o caso?
Gota aguda = monoartrite inflamatória súbita, 1º pododáctilo (podagra), ↑ risco em DRC.
A artrite gotosa aguda, ou podagra, é uma monoartrite inflamatória intensa, classicamente no hálux. A presença de doença renal crônica é um fator de risco importante para hiperuricemia e crises de gota, devido à redução da excreção de ácido úrico. A dor súbita e intensa com sinais flogísticos locais são típicos.
A artrite gotosa é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico nas articulações e tecidos periarticulares, resultante da hiperuricemia. É a artrite inflamatória mais comum em homens adultos e sua prevalência aumenta com a idade e com comorbidades como doença renal crônica, hipertensão e dislipidemia, como visto no caso. A apresentação clássica é a podagra, uma monoartrite aguda do primeiro pododáctilo, caracterizada por dor excruciante, rubor, calor e edema. O diagnóstico da gota é primariamente clínico, baseado na apresentação típica. A confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato monossódico em forma de agulha, birrefringentes negativamente, no líquido sinovial da articulação afetada. Exames laboratoriais podem mostrar hiperuricemia, mas níveis normais de ácido úrico não excluem o diagnóstico durante uma crise aguda. É crucial diferenciar de outras condições como celulite, artrite séptica e pseudogota. O tratamento da crise aguda visa aliviar a dor e a inflamação, utilizando anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. Após a resolução da crise, o manejo a longo prazo envolve a redução dos níveis de ácido úrico com medicamentos como alopurinol ou febuxostate, além de modificações no estilo de vida, para prevenir novas crises e complicações como tofos e nefropatia úrica.
A artrite gotosa aguda manifesta-se com dor súbita e intensa, eritema, calor e edema em uma única articulação, mais frequentemente o primeiro pododáctilo (podagra).
A doença renal crônica é um fator de risco significativo para gota, pois a diminuição da função renal compromete a excreção de ácido úrico, levando à hiperuricemia e à formação de cristais de urato.
A diferenciação envolve a análise do líquido sinovial para identificar cristais de urato monossódico, além da avaliação clínica e exclusão de infecção (artrite séptica) ou outras artrites inflamatórias.
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