SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Um homem de 55 anos, com histórico de hipertensão e uso crônico de diuréticos, apresenta dor intensa e inchaço na articulação metatarsofalángica do dedão do pé direito, com início súbito durante a madrugada. Ele relata episódios semelhantes no passado, mas sem tratamento específico. O exame físico revela calor, eritema e sensibilidade extrema na articulação afetada. Exames laboratoriais mostram ácido úrico sérico elevado. Assinale a alternativa que indica o melhor tratamento agudo para este episódio de artrite gotosa:
Crise aguda de gota → Colchicina ou AINEs; NUNCA inicie ou altere dose de Alopurinol na fase aguda.
O tratamento da crise de gota visa o controle inflamatório imediato. Medicamentos que reduzem o ácido úrico podem exacerbar a crise se iniciados durante a inflamação aguda.
A gota é uma artropatia inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos moles, decorrente de hiperuricemia persistente. A crise aguda, frequentemente manifestada como podagra (acometimento da 1ª metatarsofalângica), é caracterizada por dor lancinante, edema e eritema de início súbito. O manejo clínico divide-se em duas fases: o tratamento da crise aguda (foco em inflamação) e a terapia de redução de urato a longo prazo (foco em prevenção). Na fase aguda, a colchicina é padrão-ouro, especialmente se iniciada nas primeiras 24-48 horas. É fundamental orientar o paciente que, se ele já faz uso de Alopurinol, a dose deve ser mantida; porém, se nunca usou, o início deve ser postergado até a estabilização do quadro inflamatório.
A colchicina atua ligando-se às proteínas tubulinas, impedindo a polimerização dos microtúbulos. Isso inibe a quimiotaxia e a ativação de neutrófilos na articulação afetada, reduzindo a liberação de mediadores inflamatórios e a resposta ao depósito de cristais de urato monossódico.
O início do Alopurinol causa uma queda rápida nos níveis séricos de ácido úrico, o que promove a dissolução de depósitos teciduais (tofos). Essa mobilização de cristais pode precipitar novos episódios inflamatórios ou agravar a crise atual. O ideal é aguardar 2 a 4 semanas após a resolução completa dos sintomas para iniciar a terapia hipouricemiante.
As principais alternativas são os Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs), como indometacina ou naproxeno, e os corticosteroides (orais ou intra-articulares). A escolha depende das comorbidades do paciente, como função renal e histórico de úlcera péptica.
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