Artrite Gonocócica: Diagnóstico e Sinais Chave em Residentes

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 25 anos, deu entrada com dor intensa no joelho direito e dificuldade para andar devido à dor no calcanhar, refere que o quadro teve início há um dia, nega quadro similar anteriormente. Acompanhando o quadro articular, notou o aparecimento de pequenas lesões nas mãos e pés. Ao exame: dor, calor e rubor no joelho direito e temperatura corporal de 38,5º, presença de pústulas com centro necrótico nas extremidades e tendinite de Aquiles bilateral. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Artrite estafilococica.
  2. B) Artrite gonocócica.
  3. C) Crise de gota.
  4. D) Artrite reativa.

Pérola Clínica

Artrite gonocócica: dor articular migratória + tenossinovite + lesões cutâneas pustulosas/necróticas.

Resumo-Chave

A artrite gonocócica é uma manifestação disseminada da infecção por Neisseria gonorrhoeae, caracterizada pela tríade de dermatite, tenossinovite e poliartralgia migratória. A presença de pústulas com centro necrótico nas extremidades é um achado cutâneo altamente sugestivo, diferenciando-a de outras artrites sépticas.

Contexto Educacional

A artrite gonocócica é a forma mais comum de artrite séptica em adultos jovens sexualmente ativos, sendo uma manifestação da infecção disseminada por Neisseria gonorrhoeae. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico rápido para evitar sequelas articulares e na relevância epidemiológica das infecções sexualmente transmissíveis. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica da bactéria a partir de um foco mucoso (genital, faríngeo ou retal). Clinicamente, pode se manifestar como uma síndrome de dermatite-artrite (poliartralgia migratória, tenossinovite e lesões cutâneas pustulosas/hemorrágicas) ou como uma artrite séptica purulenta monoarticular. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com dor articular aguda e achados cutâneos ou tenossinovite. O tratamento consiste em antibioticoterapia sistêmica, geralmente com ceftriaxona, por via parenteral inicialmente, seguida de via oral. É fundamental tratar também as infecções por Chlamydia trachomatis, frequentemente concomitantes. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas atrasos podem levar a danos articulares permanentes. A identificação e tratamento dos parceiros sexuais são essenciais para o controle da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas característicos da artrite gonocócica?

A artrite gonocócica tipicamente se apresenta com poliartralgia migratória, tenossinovite (especialmente em punhos e tornozelos) e lesões cutâneas, como pústulas com centro necrótico, principalmente nas extremidades.

Como diferenciar a artrite gonocócica de outras causas de artrite séptica?

A presença de lesões cutâneas pustulosas ou hemorrágicas, tenossinovite e uma história de poliartralgia migratória são fortes indícios de artrite gonocócica, que a distinguem de outras artrites sépticas, como a estafilocócica, que geralmente é monoarticular e sem lesões cutâneas típicas.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de artrite gonocócica?

A conduta inicial inclui a coleta de amostras para cultura (sangue, líquido sinovial, lesões cutâneas, uretra/cérvix/reto/faringe) e o início imediato de antibioticoterapia empírica com ceftriaxona, cobrindo Neisseria gonorrhoeae.

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