Artrite Gonocócica Disseminada: Diagnóstico e Tratamento

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Homem de 19 anos apresentando há 4 dias poliartralgia e febre de 38.7 C; Ao exame físico artrite de tornozelo esquerdo e tenossinovite de punho direito e presença de lesões pápulo eritematosas e algumas pústulas em região anterior das pernas. No hemograma leucócitos de 18000, e PCR de 40. Diante deste quadro, assinale a alternativa com a melhor opção de hipótese diagnóstica/ conduta:

Alternativas

  1. A) Artrite reativa; iniciar anti-inflamatório não hormonal.
  2. B) Gota; solicitar dosagem de ácido úrico sérico e iniciar corticoide oral.
  3. C) Artrite infecciosa; iniciar ceftriaxona e azitromicina.
  4. D) Artrite infecciosa; iniciar oxacilina.

Pérola Clínica

Jovem com febre, poliartralgia, tenossinovite e lesões pustulosas cutâneas → Artrite gonocócica disseminada. Tratar com Ceftriaxona + Azitromicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliartralgia migratória, tenossinovite e lesões cutâneas pápulo-eritematosas/pustulosas em um jovem com febre é altamente sugestivo de artrite gonocócica disseminada. O tratamento empírico deve cobrir Neisseria gonorrhoeae, sendo a ceftriaxona a escolha principal, frequentemente associada à azitromicina para cobertura de clamídia e redução de resistência.

Contexto Educacional

A artrite gonocócica disseminada (DGI) é uma complicação grave da infecção por Neisseria gonorrhoeae, mais comum em adultos jovens e sexualmente ativos. Embora a gonorreia seja frequentemente associada a infecções geniturinárias localizadas, a disseminação hematogênica pode levar a um quadro sistêmico, sendo uma das causas mais comuns de artrite séptica em jovens. A prevalência de DGI tem flutuado com as taxas de gonorreia. A fisiopatologia envolve a invasão da corrente sanguínea por N. gonorrhoeae a partir de um foco mucoso, resultando em bacteremia e subsequente semeadura em articulações, tendões e pele. O quadro clínico clássico inclui febre, poliartralgia migratória, tenossinovite (especialmente em punhos e tornozelos) e lesões cutâneas pápulo-eritematosas ou pustulosas, frequentemente acrais. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, PCR elevado) e microbiológico (culturas de sítios mucosos e, idealmente, de líquido sinovial ou lesões cutâneas). O tratamento da DGI é uma emergência médica e deve ser iniciado empiricamente com antibióticos que cubram N. gonorrhoeae. A ceftriaxona (intravenosa ou intramuscular) é a droga de escolha, frequentemente associada à azitromicina (oral) para cobertura de Chlamydia trachomatis e para sinergismo. A duração do tratamento é geralmente de 7-10 dias, com melhora rápida dos sintomas articulares e cutâneos. O prognóstico é bom com tratamento precoce, mas atrasos podem levar a danos articulares permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da artrite gonocócica disseminada?

A artrite gonocócica disseminada (DGI) classicamente se apresenta com a tríade de dermatite (lesões cutâneas pustulosas ou vesiculares), tenossinovite (inflamação das bainhas tendíneas) e poliartralgia migratória ou artrite, acompanhada de febre.

Qual o tratamento de primeira linha para DGI?

O tratamento de primeira linha para DGI é a ceftriaxona intravenosa ou intramuscular, geralmente combinada com azitromicina oral para cobrir uma possível co-infecção por Chlamydia trachomatis e para sinergismo contra Neisseria gonorrhoeae.

Como diferenciar DGI de outras artrites infecciosas ou reativas?

A DGI se diferencia pela tríade clássica de sintomas (dermatite, tenossinovite, artrite migratória), a epidemiologia (pacientes sexualmente ativos) e a resposta rápida ao tratamento específico. A cultura de sítios mucosos (uretra, cérvix, faringe, reto) para N. gonorrhoeae é crucial para o diagnóstico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo