Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Um paciente do sexo masculino com 20 anos de idade procura uma UBS informando apresentar há 5 dias febre associada a calafrios, dor e edema em articulação de tornozelo direito. O exame físico revela a presença de lesões maculopapulares e pustulosas situadas no tronco e extremidades.Nesse caso, o diagnóstico mais provável é de artrite
Artrite aguda + febre + lesões cutâneas maculopapulares/pustulosas em jovem = Artrite Gonocócica.
A artrite gonocócica é uma manifestação disseminada da infecção por Neisseria gonorrhoeae, comum em jovens sexualmente ativos. A tríade clássica inclui tenossinovite, dermatite (lesões maculopapulares ou pustulosas) e poliartralgia/artrite, frequentemente acompanhada de febre e calafrios.
A artrite gonocócica é uma forma de doença gonocócica disseminada (DGD) causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. É a causa mais comum de artrite séptica em adultos jovens e sexualmente ativos, especialmente mulheres. A infecção primária, muitas vezes assintomática, pode disseminar-se hematogenicamente, levando a manifestações sistêmicas. O quadro clínico clássico da DGD inclui febre, calafrios, poliartralgia migratória, tenossinovite (inflamação dos tendões, mais comum em punhos, tornozelos e joelhos) e lesões cutâneas características. As lesões dermatológicas são tipicamente maculopapulares, vesiculares ou pustulosas, com base eritematosa, localizadas predominantemente no tronco e extremidades distais. A artrite pode ser poliarticular ou monoarticular, com derrame sinovial. O diagnóstico requer alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com fatores de risco para infecções sexualmente transmissíveis. A confirmação é feita por culturas de sítios primários e, idealmente, do líquido sinovial. O tratamento é com antibióticos sistêmicos, geralmente ceftriaxona, com boa resposta. É crucial para residentes e estudantes reconhecer essa condição para um diagnóstico e tratamento precoces, evitando danos articulares permanentes.
A doença gonocócica disseminada classicamente apresenta uma tríade de tenossinovite (inflamação dos tendões), dermatite (lesões maculopapulares, vesiculares ou pustulosas) e poliartralgia ou artrite séptica. Febre e calafrios também são comuns.
O diagnóstico é feito pela cultura ou PCR de amostras de locais de infecção primária (uretra, cérvix, reto, faringe), hemoculturas (positivas em <50% dos casos) e análise do líquido sinovial, que pode mostrar leucocitose e, ocasionalmente, Neisseria gonorrhoeae.
O tratamento inicial consiste em antibióticos parenterais, como Ceftriaxona, geralmente associado a Azitromicina ou Doxiciclina para cobrir uma possível coinfecção por Chlamydia trachomatis. A drenagem articular pode ser necessária em casos de artrite séptica purulenta.
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