Arterite Temporal: Diagnóstico e Tratamento Urgente

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 89 anos, refere cefaleia temporal bilateral há 3 meses, que não o desperta durante a noite. Não é responsiva a analgésicos comuns e é acompanhada por sensibilidade do couro cabeludo ao pentear os cabelos, além de fadiga dos músculos da mastigação. Houve emagrecimento de 4kg neste período. Exames laboratoriais: Hb = 11g/dL e VHS =115mm/h na 1ª hora. Pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) este tipo de cefaleia tem caráter recorrente e melhora com a administração de oxigênio por cateter nasal ou máscara
  2. B) a melhora clínica acentuada com uso de corticosteróide representa um dado adicional para embasar o diagnóstico deste paciente
  3. C) tumor de base de crânio com hipertensão intracraniana é o diagnóstico principal considerando a refratariedade da dor e a presença de sintomas constitucionais
  4. D) a apresentação descrita é sugestiva de neuralgia do trigêmeo devido a alteração da sensibilidade do couro cabeludo e por não responder a analgésicos comuns

Pérola Clínica

Idoso > 50 anos + cefaleia temporal + claudicação mandibular + VHS ↑ = Arterite temporal. Corticoide é tratamento e teste terapêutico.

Resumo-Chave

O quadro de cefaleia temporal em idoso, sensibilidade do couro cabeludo, claudicação mandibular, perda de peso e VHS muito elevado é altamente sugestivo de arterite temporal. A resposta dramática aos corticosteroides é um forte indicativo diagnóstico e terapêutico, sendo crucial iniciar o tratamento rapidamente para prevenir complicações graves como a cegueira.

Contexto Educacional

A arterite temporal, também conhecida como arterite de células gigantes, é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta artérias de médio e grande calibre, principalmente ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal. É uma doença que acomete predominantemente indivíduos com mais de 50 anos, sendo mais comum em mulheres. A importância do diagnóstico precoce reside no alto risco de complicações visuais irreversíveis, como a cegueira, caso não seja tratada adequadamente. O quadro clínico típico inclui cefaleia temporal de início recente, geralmente unilateral, mas que pode ser bilateral, acompanhada de sensibilidade do couro cabeludo, claudicação mandibular (dor na mandíbula ao mastigar), e sintomas constitucionais como febre, fadiga, mal-estar e perda de peso. Ao exame físico, a artéria temporal pode estar dolorosa, espessada e com pulso diminuído. Exames laboratoriais frequentemente revelam elevação acentuada da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR), além de anemia normocítica normocrômica. O tratamento da arterite temporal é uma emergência médica. Deve ser iniciado imediatamente com altas doses de corticosteroides (ex: prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa em casos de perda visual iminente) assim que houver forte suspeita clínica, mesmo antes da confirmação diagnóstica por biópsia da artéria temporal. A melhora clínica rápida após o início dos corticosteroides é um forte indicativo do diagnóstico e reforça a eficácia da terapia. A biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro para confirmação, mas não deve atrasar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da arterite temporal?

Os sintomas clássicos incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral, sensibilidade do couro cabeludo, claudicação mandibular (dor ao mastigar), perda de visão súbita e sintomas constitucionais como febre, fadiga e perda de peso.

Qual a importância do VHS na suspeita de arterite temporal?

O VHS (velocidade de hemossedimentação) é um marcador inflamatório que geralmente está muito elevado na arterite temporal (frequentemente > 50 mm/h, mas pode ser > 100 mm/h). Um VHS normal não exclui a doença, mas um valor muito alto é um forte indício.

Por que o tratamento com corticosteroides é tão importante e urgente na arterite temporal?

O tratamento com altas doses de corticosteroides (ex: prednisona) é crucial e urgente para prevenir complicações isquêmicas graves, principalmente a perda de visão irreversível, que pode ocorrer rapidamente se não tratada. A melhora clínica acentuada com o corticoide também serve como um teste terapêutico.

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