HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Homem, 68 anos, vem à emergência com quadro súbito de dor no escalpo e perda visual à esquerda. Ao exame físico: dor intensa à palpação da artéria temporal esquerda. Fundoscopia com edema do disco óptico. Do ponto de vista laboratorial, os achados esperados para o diagnóstico mais provável são
Dor escalpo, perda visual súbita, artéria temporal dolorosa em idoso → Arterite Temporal. Laboratório: VHS ↑↑, Trombocitose.
A Arterite Temporal (Arterite de Células Gigantes) é uma emergência reumatológica que causa dor no escalpo, claudicação de mandíbula e perda visual súbita. O diagnóstico é fortemente sugerido por VHS e PCR muito elevados e trombocitose, exigindo tratamento imediato com corticoides para prevenir cegueira irreversível.
A Arterite Temporal, também conhecida como Arterite de Células Gigantes (ACG), é uma vasculite sistêmica que afeta predominantemente artérias de médio e grande calibre em indivíduos com mais de 50 anos, sendo mais comum em mulheres. É uma condição reumatológica que exige reconhecimento e tratamento urgentes devido ao risco de complicações graves, especialmente a perda visual irreversível. A apresentação clínica típica inclui cefaleia de início recente, geralmente temporal, dor no escalpo à palpação, claudicação de mandíbula e sintomas visuais como amaurose fugaz, diplopia ou perda visual súbita e permanente. Ao exame físico, a artéria temporal pode estar espessada, dolorosa e com pulso diminuído. A fundoscopia pode revelar edema de disco óptico, indicando neuropatia óptica isquêmica. Do ponto de vista laboratorial, os achados mais característicos são a elevação acentuada da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR), que são marcadores de inflamação. A trombocitose também é um achado comum na ACG. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia da artéria temporal, mas o tratamento com corticosteroides deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, sem aguardar a confirmação histopatológica, para prevenir a cegueira.
Os sintomas incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral, dor no escalpo à palpação, claudicação de mandíbula, perda visual súbita (amaurose fugaz ou permanente), diplopia e sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e perda de peso.
A VHS é um marcador inflamatório que se encontra acentuadamente elevado na Arterite Temporal, frequentemente acima de 50 mm/h, e pode chegar a mais de 100 mm/h. É um achado laboratorial chave que, junto com a clínica, guia o diagnóstico e a decisão terapêutica.
A principal complicação é a perda visual irreversível, que pode ocorrer rapidamente devido à isquemia do nervo óptico. A prevenção é feita através do diagnóstico precoce e início imediato de altas doses de corticosteroides (ex: prednisona ou metilprednisolona), mesmo antes da biópsia da artéria temporal.
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