Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 53 anos de idade, apresentando cefaleia temporal direita de forte intensidade associada a dor mandibular durante a mastigação. Apresentou amaurose súbita em olho direito, com reversão espontânea em alguns minutos. Exames laboratoriais inocentes, VHS 80. Tomografia de crânio sem alterações. Qual diagnóstico provável?
Arterite Temporal: cefaleia temporal + dor mandibular + amaurose súbita + VHS ↑ em >50 anos.
A Arterite Temporal (ou Arterite de Células Gigantes) é uma vasculite sistêmica que afeta artérias de médio e grande calibre, principalmente as que irrigam a cabeça. Caracteriza-se por cefaleia temporal, dor mandibular à mastigação (claudicação mandibular) e sintomas visuais como amaurose súbita, sendo uma emergência oftalmológica. O VHS elevado é um achado laboratorial importante.
A Arterite Temporal, também conhecida como Arterite de Células Gigantes (ACG), é uma vasculite granulomatosa sistêmica que afeta artérias de médio e grande calibre, predominantemente em indivíduos com mais de 50 anos. É a vasculite mais comum em idosos e apresenta uma forte associação com a polimialgia reumática. Sua importância reside no risco de perda visual irreversível se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve uma inflamação granulomatosa da parede arterial, levando a estenose e oclusão dos vasos. Os sintomas incluem cefaleia temporal nova ou de padrão diferente, claudicação mandibular, dor no couro cabeludo, e sintomas visuais como amaurose fugaz ou perda visual súbita. O diagnóstico é baseado na clínica, elevação de marcadores inflamatórios (VHS e PCR) e é confirmado pela biópsia da artéria temporal, que revela infiltrado inflamatório e células gigantes. No entanto, o tratamento não deve ser atrasado pela biópsia. O tratamento da Arterite Temporal é uma emergência médica e consiste no início imediato de altas doses de corticosteroides sistêmicos (ex: prednisona 1 mg/kg/dia ou pulsoterapia com metilprednisolona em casos de perda visual). A resposta ao tratamento é geralmente rápida, mas a terapia pode ser prolongada por meses a anos, com desmame gradual. O acompanhamento é crucial para monitorar a atividade da doença e os efeitos adversos dos corticosteroides.
Os sintomas clássicos da Arterite Temporal incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral de forte intensidade, dor mandibular durante a mastigação (claudicação mandibular), sensibilidade no couro cabeludo, e sintomas visuais como amaurose súbita transitória ou permanente, diplopia e perda visual.
O VHS (velocidade de hemossedimentação) é um marcador inflamatório que costuma estar marcadamente elevado na Arterite Temporal (geralmente >50 mm/h, mas pode ser >100 mm/h). Embora não seja específico, um VHS normal torna o diagnóstico menos provável, mas não o exclui completamente.
A principal e mais temida complicação da Arterite Temporal é a perda visual permanente, que pode ocorrer de forma súbita e irreversível. A prevenção se dá pelo diagnóstico precoce e início imediato do tratamento com altas doses de corticosteroides (geralmente prednisona), mesmo antes da biópsia da artéria temporal.
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