UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Paciente de 72 anos, sexo feminino, refere episódio de perda súbita da visão em olho esquerdo com posterior melhora, porém mantendo escotoma visual, cefaleia hemicraniana esquerda contínua, rigidez de predomínio proximal em membros e cervical, perda ponderal e episódios febris. Exame laboratorial mostra VHS maior que 100 mm/h. De acordo com o quadro clínico, assinale a alternativa CORRETA:
Arterite temporal: cefaleia, distúrbios visuais, polimialgia reumática, VHS ↑↑. Risco de acometimento sistêmico (aneurismas, derrame pericárdico).
A arterite temporal, ou arterite de células gigantes, é uma vasculite sistêmica que afeta artérias de médio e grande calibre, não se restringindo ao sistema nervoso central. O acometimento sistêmico, incluindo aneurismas de aorta e artérias mesentéricas, e derrame pericárdico, é uma complicação grave e reconhecida da doença.
A arterite temporal, também conhecida como arterite de células gigantes, é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta artérias de médio e grande calibre, predominantemente as artérias cranianas, especialmente os ramos da artéria carótida externa. É mais comum em indivíduos com mais de 50 anos, sendo a idade um fator de risco significativo. A apresentação clínica é variada, mas classicamente inclui cefaleia temporal unilateral ou bilateral, sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula e sintomas visuais como amaurose fugaz ou perda visual súbita e permanente. Além dos sintomas cranianos, a arterite temporal frequentemente se associa à polimialgia reumática, caracterizada por dor e rigidez de predomínio proximal em ombros e quadris. Sintomas constitucionais como febre, perda ponderal e mal-estar são comuns. Laboratorialmente, observa-se um aumento acentuado da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR), que são marcadores inflamatórios importantes para a suspeita diagnóstica. O diagnóstico definitivo é feito pela biópsia da artéria temporal, que revela inflamação granulomatosa e células gigantes, embora um resultado negativo não exclua a doença devido ao acometimento segmentar. O tratamento da arterite temporal é uma emergência médica, especialmente na presença de sintomas visuais, devido ao risco iminente de cegueira irreversível. Corticosteroides em altas doses (prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa para casos graves) são a base do tratamento. O acompanhamento a longo prazo é crucial devido ao risco de complicações sistêmicas tardias, como aneurismas de aorta torácica e abdominal, dissecção aórtica e acometimento de artérias mesentéricas, que podem ocorrer anos após o diagnóstico inicial. A vigilância para essas complicações é parte integrante do manejo.
Os sintomas incluem cefaleia temporal, claudicação de mandíbula, dor e rigidez proximal (polimialgia reumática), perda visual súbita (amaurose fugaz) e sintomas constitucionais como febre e perda ponderal.
O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e achados laboratoriais (VHS e PCR elevados), e confirmado por biópsia da artéria temporal. A ultrassonografia com sinal do halo também pode ser útil.
As complicações mais graves incluem perda visual permanente (cegueira), acidente vascular cerebral, e acometimento sistêmico como aneurismas de aorta (torácica e abdominal) e artérias mesentéricas, e derrame pericárdico.
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