UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Paciente de 65 anos, feminina com cefaleia crônica em região temporal direita e há 6 semanas com piora da dor associado a claudicação de mandíbula dor temporal e alterações visuais homolateral. Em exames laboratoriais apresenta VHS muito elevado (maior 100). O diagnóstico mais provável a ser pensado é?
Arterite Temporal: Cefaleia temporal + claudicação de mandíbula + alterações visuais + VHS > 100 → iniciar corticoide urgente.
A arterite temporal é uma vasculite de grandes vasos que afeta principalmente a artéria temporal. A tríade clássica inclui cefaleia temporal, claudicação de mandíbula e alterações visuais, sendo a perda visual uma complicação grave e irreversível se não tratada rapidamente. O VHS muito elevado é um marcador inflamatório chave.
A arterite temporal de células gigantes (ATC), ou arterite de Horton, é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta artérias de médio e grande calibre, predominantemente em indivíduos com mais de 50 anos. É a vasculite mais comum em idosos e sua importância clínica reside no risco de perda visual irreversível e outras complicações isquêmicas. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar sequelas graves. A fisiopatologia envolve uma inflamação transmural da parede arterial, levando a estenose e oclusão dos vasos. O diagnóstico é baseado na clínica (cefaleia temporal, claudicação de mandíbula, alterações visuais, dor no couro cabeludo), exames laboratoriais (VHS e PCR muito elevados) e confirmado pela biópsia da artéria temporal. A suspeita clínica, especialmente com sintomas visuais, exige tratamento imediato. O tratamento consiste em corticosteroides em altas doses, que devem ser iniciados o mais rápido possível para prevenir a cegueira, mesmo antes da confirmação histopatológica. A duração do tratamento é prolongada, com desmame gradual, e pode exigir o uso de agentes poupadores de corticoide em casos refratários ou com efeitos adversos significativos. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a vigilância para recidivas é essencial.
Os sinais clássicos incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral, dor à palpação da artéria temporal, claudicação de mandíbula e alterações visuais como amaurose fugaz ou diplopia.
O VHS é um marcador inflamatório que geralmente se encontra muito elevado (>50 mm/h, frequentemente >100 mm/h) na arterite temporal, auxiliando na suspeita diagnóstica e monitoramento da atividade da doença.
A conduta inicial é a administração imediata de corticosteroides em altas doses (ex: prednisona 1 mg/kg/dia ou pulsoterapia com metilprednisolona), mesmo antes da biópsia da artéria temporal, para prevenir a perda visual irreversível.
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