Arterite Temporal: Sinais Chave e Diagnóstico Precoce

SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Qual característica abaixo condiz com o diagnóstico de arterite temporal?

Alternativas

  1. A) Mulher 70 anos.
  2. B) Vasculite não granulomatosa.
  3. C) VHS normal e consumo de complemento
  4. D) Contraindicação ao uso de AAS.

Pérola Clínica

Arterite Temporal: vasculite granulomatosa de grandes vasos, afeta >50 anos (mulheres > homens), VHS ↑, risco de cegueira.

Resumo-Chave

A arterite temporal, ou arterite de células gigantes, é uma vasculite granulomatosa que afeta tipicamente artérias de médio e grande calibre em indivíduos com mais de 50 anos, sendo mais comum em mulheres. A elevação da velocidade de hemossedimentação (VHS) é um achado laboratorial quase universal e crucial para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A arterite temporal, também conhecida como arterite de células gigantes (ACG), é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta principalmente artérias de médio e grande calibre, especialmente ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal. É a vasculite mais comum em adultos com mais de 50 anos, com maior incidência em mulheres e indivíduos de ascendência europeia. A importância clínica reside no risco de complicações isquêmicas graves, como perda visual permanente (cegueira), acidente vascular cerebral e aneurismas da aorta, tornando o diagnóstico e tratamento precoces cruciais. A fisiopatologia envolve uma inflamação crônica da parede arterial, com infiltrado de células mononucleares e formação de granulomas, levando ao espessamento da íntima e estenose luminal. Os sintomas incluem cefaleia de início recente (geralmente temporal), sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula, sintomas visuais (amaurose fugaz, diplopia, perda visual súbita) e sintomas sistêmicos como febre, fadiga e perda de peso. A polimialgia reumática, uma síndrome inflamatória muscular, coexiste em cerca de 50% dos pacientes. O diagnóstico é baseado na clínica, elevação de marcadores inflamatórios (VHS e PCR) e confirmado pela biópsia da artéria temporal. O tratamento da arterite temporal é uma emergência médica e deve ser iniciado imediatamente com altas doses de corticosteroides (prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa em casos de perda visual) para prevenir a perda visual irreversível. O AAS em baixa dose pode ser adicionado para reduzir o risco de eventos isquêmicos. A duração do tratamento é prolongada, com desmame gradual dos corticosteroides, e imunossupressores como o tocilizumabe (anti-IL-6) podem ser usados em casos refratários ou para poupar esteroides. O acompanhamento é essencial para monitorar a atividade da doença e as complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da arterite temporal?

Os sintomas clássicos incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral de início recente, sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula, dor na língua, e sintomas visuais como amaurose fugaz ou perda visual súbita. Sintomas sistêmicos como febre e perda de peso também podem ocorrer.

Qual o papel da biópsia da artéria temporal no diagnóstico?

A biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro para o diagnóstico, revelando inflamação granulomatosa com células gigantes, fragmentação da lâmina elástica interna e espessamento da íntima. No entanto, o tratamento com corticosteroides não deve ser atrasado enquanto se aguarda a biópsia.

Por que a elevação do VHS é tão importante na arterite temporal?

A elevação da velocidade de hemossedimentação (VHS) é um marcador inflamatório quase sempre presente e muito elevado na arterite temporal, sendo um critério diagnóstico e um indicador da atividade da doença. Um VHS normal, embora raro, não exclui completamente o diagnóstico.

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