Arterite Temporal: Diagnóstico Rápido e Tratamento Urgente

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 58 anos de idade comparece em consulta ambulatorial com queixa de que, há cerca de um mês, apresenta cefaleia unilateral em peso, intermitente, de moderada intensidade, que piora ao se alimentar e irradia para a mandíbula. Refere ainda fadiga e sensação de febre, não aferida. Exame físico sem alterações. Os exames evidenciaram: proteína C reativa 45mg/L (VR < 5mg/L); velocidade de hemossedimentação 110mm/h (VR < 15mm/h); creatinina 1,0mg/dL (VR 0,7 - 1,2mg/dL); ureia 42mg/dL (VR 10 - 50mg/dL); sódio 138mEq/L (VR 135 - 145mEq/L); potássio 4,2mEq/L (VR 3,5 - 5,0mEq/L); hemoglobina 11,0g/dL (VR 13,5 - 17,5g/dL); leucócitos 9mil/mm (VR 4,00 - 11,00mil/mm³) e plaquetas 350mil/mm³ (VR 150 - 400mil/mm³). Tomografia computadorizada do crânio sem alterações. Quais são as condutas diagnóstica e terapêutica que devem ser adotadas neste momento?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de seios da face e iniciar antibioticoterapia.
  2. B) Biopsia de artéria temporal unilateral e iniciar corticoterapia.
  3. C) Ressonância magnética da coluna cervical e iniciar anti-inflamatório não esteroidal.
  4. D) Ressonância magnética do crânio, além de iniciar antiagregante plaquetário e estatina.

Pérola Clínica

Idoso com cefaleia unilateral, claudicação de mandíbula, VHS/PCR ↑ → suspeitar arterite temporal. Iniciar corticoide URGENTE + biópsia.

Resumo-Chave

A arterite temporal é uma vasculite de grandes vasos que afeta principalmente idosos, manifestando-se com cefaleia, claudicação de mandíbula e elevação acentuada de VHS e PCR. O tratamento com corticosteroides deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da biópsia, para prevenir complicações graves como a cegueira.

Contexto Educacional

A arterite temporal, também conhecida como arterite de células gigantes (ACG), é uma vasculite granulomatosa sistêmica que afeta predominantemente artérias de médio e grande calibre, especialmente os ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal. É uma doença que acomete indivíduos com mais de 50 anos, com pico de incidência entre 70 e 80 anos, sendo mais comum em mulheres. É uma emergência médica devido ao risco de perda visual irreversível. A apresentação clínica clássica inclui cefaleia unilateral ou bilateral, geralmente temporal, de início recente e persistente, que pode ser acompanhada de sensibilidade no couro cabeludo. Outros sintomas incluem claudicação de mandíbula (dor ao mastigar), fadiga, febre, perda de peso e, em casos mais graves, amaurose fugaz ou perda visual súbita. Laboratorialmente, há elevação acentuada da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR), além de anemia normocítica normocrômica. A biópsia da artéria temporal é o exame confirmatório, mas não deve atrasar o tratamento. O tratamento da arterite temporal é uma urgência e consiste na administração imediata de corticosteroides em altas doses (ex: prednisona oral 40-60 mg/dia ou pulsoterapia com metilprednisolona em casos de risco iminente de cegueira ou cegueira já instalada). A corticoterapia deve ser iniciada assim que houver forte suspeita clínica, mesmo antes da biópsia, para prevenir a perda visual permanente. A duração do tratamento é prolongada, geralmente por meses a anos, com desmame gradual monitorado por sintomas e marcadores inflamatórios.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e sinais da arterite temporal?

Os sintomas clássicos incluem cefaleia unilateral (geralmente temporal), dor no couro cabeludo, claudicação de mandíbula (dor ao mastigar), fadiga, febre e perda de peso. A complicação mais temida é a perda súbita e irreversível da visão, devido à isquemia do nervo óptico.

Por que a biópsia da artéria temporal é importante no diagnóstico?

A biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro para o diagnóstico de arterite temporal, pois permite identificar a inflamação granulomatosa com células gigantes na parede do vaso. Embora o tratamento deva ser iniciado antes do resultado, a biópsia confirma o diagnóstico e pode guiar a duração da terapia.

Qual a conduta terapêutica inicial na suspeita de arterite temporal e por que é urgente?

A conduta inicial é o início imediato de corticosteroides em altas doses (ex: prednisona 40-60 mg/dia ou pulsoterapia com metilprednisolona em casos graves), mesmo antes da biópsia. Isso é urgente para prevenir a perda irreversível da visão, que pode ocorrer rapidamente se a isquemia do nervo óptico não for tratada prontamente.

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