UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Rodolfo, 67 anos, consulta por um quadro de alguns meses sem diagnóstico. Refere cefaleia temporal e occipital e está intrigado por uma dor na musculatura associada à mandíbula, bilateralmente, ao mascar chicletes ou durante as refeições. É obrigado a parar com a mastigação por alguns instantes, antes de poder retomá-la. Tem apresentado febre baixa com frequência e, nas últimas duas semanas, dor muscular e rigidez em regiões proximais dos membros, mais significativa nos ombros. Dos exames laboratoriais, destacam-se uma VHS de 98mm na primeira hora e uma ligeira leucocitose neutrofílica com anemia discreta (Hb 11,7g/dL e VCM 90fL). Ressonância magnética do crânio normal.O paciente recebeu um diagnóstico presuntivo. Qual das morbidades elencadas a seguir é muito mais frequente em pacientes com esse diagnóstico quando comparamos com a população da mesma idade?
Arterite Temporal: cefaleia, claudicação de mandíbula, VHS ↑↑. Risco ↑ de aneurisma/dissecção de aorta.
A Arterite Temporal (Arterite de Células Gigantes) é uma vasculite de grandes e médios vasos que, além de afetar as artérias cranianas, pode comprometer a aorta e seus ramos, aumentando significativamente o risco de aneurismas e dissecções aórticas em comparação com a população geral.
A Arterite Temporal, também conhecida como Arterite de Células Gigantes (ACG), é uma vasculite sistêmica que afeta principalmente artérias de médio e grande calibre, com predileção pelas artérias cranianas, especialmente as temporais. É uma doença que acomete indivíduos geralmente acima de 50 anos, com maior incidência em mulheres. A apresentação clínica clássica inclui cefaleia (temporal ou occipital), claudicação de mandíbula, dor e rigidez nos ombros e quadris (sintomas de Polimialgia Reumática, que coexiste em cerca de 50% dos casos), e sintomas constitucionais como febre baixa e perda de peso. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e por exames laboratoriais que mostram um processo inflamatório intenso, como VHS e PCR muito elevados. A biópsia da artéria temporal é o padrão ouro para confirmação, revelando inflamação granulomatosa com células gigantes. O tratamento com corticosteroides deve ser iniciado prontamente para prevenir complicações graves, como a perda permanente da visão, que pode ocorrer se as artérias oftálmicas forem afetadas. Uma complicação importante e frequentemente subestimada da ACG é o envolvimento de grandes vasos, como a aorta. Pacientes com Arterite Temporal têm um risco significativamente aumentado de desenvolver aneurismas da aorta torácica e abdominal, bem como dissecções aórticas, mesmo anos após o diagnóstico inicial. Portanto, o acompanhamento a longo prazo com exames de imagem da aorta é recomendado para esses pacientes.
Os sintomas incluem cefaleia temporal ou occipital, dor e rigidez muscular proximal (polimialgia reumática), claudicação de mandíbula, febre baixa e perda de peso.
O VHS é um marcador inflamatório que geralmente está muito elevado (>50 mm/h, frequentemente >100 mm/h) na Arterite Temporal, sendo um critério diagnóstico e de acompanhamento.
A Arterite Temporal é uma vasculite que pode afetar a parede da aorta e seus grandes ramos, levando à inflamação crônica, degeneração da parede vascular e, consequentemente, à formação de aneurismas ou dissecções.
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