ENARE/ENAMED — Prova 2026
Mulher de 55 anos, sem história de doenças crônicas, procura atendimento por queixa de cefaleia persistente em ambos os lados do crânio, associada a alterações de visão (amaurose fugaz e diplopia), cansaço e artralgias. Relata dor em todo o couro cabeludo. Notou perda de peso (2 kg em 2 meses). Nega fotofobia ou fonofobia, febre ou náuseas, e afirma que não acorda de madrugada por conta da cefaleia. Nega qualquer problema de ordem emocional. Ao exame, a paciente encontra-se afebril, com pupilas isocóricas e sem rigidez de nuca. Qual é o tipo de cefaleia dessa paciente, e qual exame seria útil na sua investigação preliminar, respectivamente?
Cefaleia nova em idoso + sintomas visuais/dor couro cabeludo/VHS elevado → Arterite Temporal = Risco de cegueira.
A arterite temporal, ou arterite de células gigantes, é uma vasculite sistêmica que afeta artérias de médio e grande calibre, comum em idosos, manifestando-se com cefaleia nova, dor no couro cabeludo, sintomas visuais como amaurose fugaz ou diplopia, e sintomas sistêmicos como perda de peso e artralgias; a elevação da VHS é um achado laboratorial chave para a investigação.
A arterite temporal, também conhecida como arterite de células gigantes, é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta artérias de médio e grande calibre, predominantemente em indivíduos com mais de 50 anos. A apresentação clínica é variada, mas a cefaleia nova e persistente, muitas vezes localizada nas têmporas e associada à dor no couro cabeludo, é um sintoma cardinal. Outros achados importantes incluem sintomas visuais como amaurose fugaz (perda transitória da visão) ou diplopia, claudicação de mandíbula e sintomas sistêmicos inespecíficos como fadiga, perda de peso e artralgias. A suspeita clínica de arterite temporal é crucial devido ao risco de complicações graves, sendo a mais temida a perda permanente da visão, que pode ocorrer rapidamente se a doença não for tratada. A investigação inicial deve incluir a dosagem de marcadores inflamatórios, como a Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e a Proteína C Reativa (PCR), que geralmente se encontram acentuadamente elevados. Embora a biópsia da artéria temporal seja o padrão ouro para o diagnóstico definitivo, o tratamento com corticosteroides deve ser iniciado empiricamente com base na forte suspeita clínica para evitar danos irreversíveis, especialmente oculares. A diferenciação de outras cefaleias primárias ou secundárias é fundamental. A idade do paciente, a natureza da cefaleia (nova, persistente), a presença de sintomas visuais e sistêmicos, e os achados laboratoriais inflamatórios são elementos-chave que direcionam o raciocínio clínico para a arterite temporal. O manejo rápido e adequado pode prevenir morbidades significativas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Cefaleia nova e persistente, dor no couro cabeludo, claudicação de mandíbula, alterações visuais (amaurose fugaz, diplopia) e sintomas sistêmicos como febre, perda de peso e fadiga.
A Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e a Proteína C Reativa (PCR) são marcadores inflamatórios que geralmente estão muito elevados na arterite temporal.
O diagnóstico e tratamento precoces com corticosteroides são essenciais para prevenir complicações graves e irreversíveis, como a perda permanente da visão.
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