HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Homem de 73 anos de idade comparece ao ambulatório com relato de que, há três meses, iniciou quadro de febre (Tax: 38,3ºC) esporádica, perda de peso não intencional e prostração. Há um mês evoluiu com cefaleia em região temporal, a qual é caracterizada como sendo diferente das outras cefaleias que já teve. Há duas semanas, também passou a sentir dor durante a mastigação de alimentos. Tem história prévia de HAS, DM tipo 2 e DRC não dialítica. Não tem alterações significativas ao exame físico geral ou neurológico. Apresentou os exames laboratoriais solicitados na consulta anterior, os quais evidenciam: Hb 11,3g/dL; Leuco 9530/mm³; Plq 193.000/mm³; Ur 49mg/dL; Cr 1,0mg/dL; Na 139mEq/L; K 4,3mEq/L; PCR 3,4mg/dL; VHS 87mm/h (até 20 mm/h) e sorologias para hepatite B, C e HIV não reagentes. Qual é o exame que deve ser inicialmente solicitado e o tratamento de primeira linha que deve ser recomendado para este paciente?
Arterite Temporal: cefaleia nova em idoso + claudicação mastigatória + VHS/PCR ↑ → US Doppler artérias temporais + Prednisona oral.
A arterite temporal deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com cefaleia de início recente, dor à mastigação e marcadores inflamatórios elevados. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato com corticosteroides são cruciais para prevenir complicações graves como a perda visual irreversível.
A Arterite Temporal, ou Arterite de Células Gigantes (ACG), é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta artérias de médio e grande calibre, principalmente ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal. É mais comum em indivíduos com mais de 50 anos e pode estar associada à polimialgia reumática. Sua importância clínica reside no risco de complicações isquêmicas graves, especialmente a cegueira, se não for diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória mediada por células T e macrófagos na parede arterial, levando a espessamento, estenose e oclusão do lúmen. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (cefaleia nova, claudicação mandibular, sintomas constitucionais), elevação de marcadores inflamatórios (VHS e PCR) e confirmado por ultrassonografia Doppler das artérias temporais ou biópsia. A suspeita deve ser alta em qualquer idoso com cefaleia atípica e sintomas sistêmicos. O tratamento consiste na administração imediata de corticosteroides em altas doses (prednisona oral), mesmo antes da confirmação histopatológica, para prevenir a perda visual. A dose e duração do tratamento são individualizadas, com redução gradual após controle dos sintomas e marcadores inflamatórios. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a doença pode ter um curso crônico e exigir monitoramento contínuo.
Os sinais e sintomas clássicos incluem cefaleia temporal de início recente, dor à mastigação (claudicação mandibular), sensibilidade no couro cabeludo, febre, perda de peso e prostração. A elevação do VHS e PCR é um achado laboratorial comum e importante.
O exame inicial recomendado é a ultrassonografia com Doppler das artérias temporais, que pode evidenciar o sinal do 'halo' (espessamento da parede arterial) e estenoses. A biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro, mas não deve atrasar o tratamento.
O tratamento de primeira linha é a prednisona oral em altas doses, iniciada imediatamente após a suspeita clínica. A urgência se deve ao risco de complicações isquêmicas graves, principalmente a perda visual irreversível devido à neuropatia óptica isquêmica anterior.
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