Arterite de Takayasu: Diagnóstico em Mulheres Jovens

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25 anos, previamente hígida, é admitida com quadro de acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico. Exame físico: ausência de pulso palpável em artéria radial esquerda e braquial direita. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) vasculite primária do sistema nervoso central
  2. B) arterite de células gigantes
  3. C) poliarterite nodosa
  4. D) arterite de Takayasu

Pérola Clínica

Mulher jovem com AVE isquêmico + ausência de pulsos em MMSS → Arterite de Takayasu.

Resumo-Chave

A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica de grandes vasos, que afeta a aorta e seus ramos principais, sendo mais comum em mulheres jovens. A apresentação com acidente vascular encefálico isquêmico e ausência de pulsos em membros superiores é um achado clássico dessa doença, conhecida como 'doença sem pulso'.

Contexto Educacional

A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta a aorta e seus principais ramos, bem como as artérias pulmonares. É uma doença rara, mas de grande importância clínica, especialmente por acometer predominantemente mulheres jovens, geralmente com menos de 40 anos. O reconhecimento precoce é crucial para prevenir danos irreversíveis aos órgãos e melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia envolve inflamação da parede dos grandes vasos, levando a estenose, oclusão, dilatação ou formação de aneurismas. Clinicamente, a doença pode se manifestar em duas fases: uma fase inflamatória sistêmica (febre, mal-estar, artralgia) e uma fase oclusiva crônica, onde predominam os sintomas isquêmicos. A ausência ou diminuição de pulsos em membros superiores, diferença de pressão arterial entre os braços e sopros vasculares são achados clássicos. O acidente vascular encefálico isquêmico em pacientes jovens é uma manifestação grave e comum. O diagnóstico é baseado nos achados clínicos, laboratoriais (elevação de VHS e PCR) e, principalmente, em exames de imagem como angiotomografia, angioressonância ou angiografia convencional, que demonstram as lesões vasculares. O tratamento visa controlar a inflamação com corticosteroides e, frequentemente, imunossupressores. Em casos de estenoses graves ou aneurismas, intervenções cirúrgicas ou endovasculares podem ser necessárias para restaurar o fluxo sanguíneo e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Arterite de Takayasu?

Os critérios incluem idade de início < 40 anos, claudicação de membros, diminuição ou ausência de pulso em uma ou ambas as artérias braquiais, diferença de pressão arterial > 10 mmHg entre os braços, sopro em artérias subclávias ou aorta, e anormalidades angiográficas.

Quais são as principais manifestações clínicas da Arterite de Takayasu?

As manifestações podem incluir sintomas sistêmicos (febre, mal-estar), claudicação de membros, hipertensão arterial (por estenose de artéria renal), isquemia cerebral (AVE, AIT), angina, insuficiência aórtica e retinopatia isquêmica.

Qual o tratamento inicial para a Arterite de Takayasu?

O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides em altas doses para controlar a inflamação. Agentes imunossupressores adicionais, como metotrexato ou azatioprina, podem ser usados para poupar esteroides. Intervenções cirúrgicas ou endovasculares podem ser necessárias para estenoses significativas.

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