Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2020
Mulher de 23 anos, queixando-se de dor em antebraço esquerdo após atividades físicas, de início há 4 meses. Queixa-se também no mesmo período de febre baixa, diária, não aferida, associada à perda de peso, cefaleias esporádicas auto-limitadas e crises hipertensivas que a fez procurar o pronto-socorro por 4 vezes. Nega comorbidades. Nega tabagismo/etilismo. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, bulhas rítmicas em 2 tempos, sem sopros audíveis, pressão arterial sistólica em repouso de 150mmHg, ausculta pulmonar normal. Exame físico do antebraço esquerdo com tempo de enchimento capilar lentificado, sem lesões tróficas e redução da amplitude do pulso da artéria braquial esquerda. Apresenta velocidade de hemossedimentação aumentada. A principal hipótese diagnóstica é:
Mulher jovem + claudicação de membro + pulsos assimétricos + hipertensão + VHS alta → Arterite de Takayasu.
O quadro clínico de uma mulher jovem com dor em membro superior (claudicação), redução de pulso, hipertensão, sintomas constitucionais (febre, perda de peso) e VHS elevada é altamente sugestivo de Arterite de Takayasu, uma vasculite de grandes vasos que afeta principalmente a aorta e seus ramos.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta principalmente a aorta e seus principais ramos, bem como as artérias pulmonares. É mais comum em mulheres jovens (geralmente < 40 anos) e é conhecida como "doença sem pulso" devido à frequência de oclusão ou estenose arterial que leva à diminuição ou ausência de pulsos periféricos. Sua importância reside no potencial de causar danos isquêmicos graves a órgãos vitais. A fisiopatologia envolve inflamação da parede arterial, levando a espessamento, estenose, oclusão ou formação de aneurismas. A doença geralmente apresenta uma fase inflamatória sistêmica (febre baixa, perda de peso, mialgia, artralgia, VHS elevada) seguida por uma fase oclusiva, com sintomas isquêmicos nos órgãos afetados (claudicação, hipertensão, AVC, isquemia mesentérica). O diagnóstico é clínico, laboratorial (VHS/PCR elevados) e de imagem (angiotomografia, angioressonância, arteriografia). O tratamento visa suprimir a inflamação e prevenir a progressão da doença. Corticosteroides são a primeira linha, frequentemente combinados com imunossupressores (metotrexato, azatioprina). Em casos de estenoses graves, intervenções cirúrgicas ou endovasculares podem ser necessárias para restaurar o fluxo sanguíneo. O acompanhamento a longo prazo é fundamental devido à natureza crônica e recidivante da doença.
Os critérios incluem idade < 40 anos, claudicação de extremidade, diminuição de pulso braquial, diferença de PA > 10 mmHg entre os braços, sopro em artérias subclávias/aorta e arteriografia anormal.
A hipertensão pode ser causada por estenose da artéria renal (hipertensão renovascular) ou por envolvimento da aorta e seus ramos, levando a rigidez arterial e aumento da resistência periférica.
As complicações incluem estenose ou oclusão arterial, aneurismas, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e cegueira, se não tratada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo