FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Mulher de 29 anos, sem comorbidades prévias, apresenta quadro súbito de hemiparesia direita e disartria. Há 1 semana ela vinha com febre, calafrios, mal-estar e mialgias difusas. O exame físico mostra sopro audível na região cervical esquerda. A tomografia sem contraste revela um infarto agudo do território da artéria cerebral média esquerda. Exames de sangue: leucocitose (12.700/mm3) com predominância de neutrófilos; creatinina: 1,7 mg/dL; marcadores inflamatórios elevados (VHS: 89 mmy/hora; PCR: 3,7 mg/dL). Angiotomografia: lesões estenóticas focais das artérias subclávia esquerda, carótida comum esquerda e renal direita; há também dilatação da raiz da aorta. Ecocardiograma: não há vegetações valvares; há hipocinesia global difusa com fração de ejeção de VE de 37%. Corticosteroide é iniciado, mas a ciclofosfamida não é aceita devido a preocupações com a fertilidade a longo prazo. Nesse momento, a terapia adicional recomendada é:
Takayasu: vasculite grandes vasos → estenoses/dilatações arteriais, AVC jovem, IC. Infliximabe alternativa à ciclofosfamida.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que pode causar isquemia cerebral, insuficiência cardíaca e hipertensão renovascular. Em casos de recusa de ciclofosfamida devido a preocupações com fertilidade, agentes biológicos como o infliximabe (anti-TNF) são opções eficazes para indução e manutenção da remissão.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica de grandes vasos que afeta primariamente a aorta e seus ramos principais, bem como as artérias pulmonares. Predomina em mulheres jovens e é uma causa importante de doença cerebrovascular e cardiovascular nessa faixa etária. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir danos irreversíveis aos órgãos. A fisiopatologia envolve inflamação da parede arterial, levando a estenoses, oclusões, dilatações ou aneurismas. As manifestações clínicas são variadas e dependem dos vasos acometidos, incluindo claudicação, assimetria de pulsos e pressão, hipertensão arterial, AVC isquêmico, insuficiência cardíaca e sintomas constitucionais. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, laboratoriais (marcadores inflamatórios elevados) e de imagem (angiotomografia, angioressonância). O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir a progressão da doença. Corticosteroides são a terapia de primeira linha, frequentemente combinados com imunossupressores como metotrexato, azatioprina ou ciclofosfamida. Em casos refratários ou quando há preocupação com efeitos adversos (como a toxicidade gonadal da ciclofosfamida), agentes biológicos como os inibidores do TNF-alfa (infliximabe, adalimumabe) ou tocilizumabe (anti-IL-6) são opções eficazes.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que afeta a aorta e seus ramos principais, manifestando-se com claudicação de membros, assimetria de pulsos e pressão arterial, sopros vasculares, hipertensão renovascular, AVC isquêmico e, em casos avançados, insuficiência cardíaca.
O infliximabe, um inibidor do TNF-alfa, é utilizado no tratamento da Arterite de Takayasu refratária a corticosteroides ou em pacientes que não podem usar ciclofosfamida, como aqueles com preocupações com a fertilidade, devido ao seu perfil de eficácia e segurança.
A vasculite de grandes vasos na Arterite de Takayasu pode levar à estenose ou oclusão de artérias carótidas e vertebrais, resultando em isquemia cerebral e acidentes vasculares cerebrais em pacientes jovens, mesmo sem fatores de risco cardiovasculares tradicionais.
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