Arterite de Takayasu: Diagnóstico e Manejo Clínico para Residentes

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 34 anos, refere dor e formigamento no membro superior esquerdo há cerca de 2 anos, principalmente ao esforço intenso. Não há limitação a atividades habituais ou surgimento de lesões espontâneas. AP: nega tabagismo e hipertensão. Exame físico: pulsos radial e ulnar palpáveis em membro superior direito, não palpáveis no esquerdo; dor em antebraço esquerdo à elevação dos membros e manobras repetidas de preensão palmar; perfusão lentificada em MSE em relação ao MSD; pulsos femorais, poplíteos, tibiais anteriores e posteriores palpáveis bilateralmente; ausência de edema em extremidades. A provável hipótese e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Doença de Kawasaki; iniciar corticóide em altas doses e indicar internação hospitalar para realizar coronariografia.
  2. B) Tromboangeíte obliterante sem necrose; anticoagulação.
  3. C) Arterite de Takayasu; realizar desobstrução a fogarty.
  4. D) Arterite de Takayasu; tratamento medicamentoso e acompanhamento periódico.

Pérola Clínica

Mulher jovem com pulsos assimétricos e claudicação de membros superiores → suspeitar de Arterite de Takayasu, tratar com medicamentos e acompanhar.

Resumo-Chave

A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta grandes vasos, especialmente a aorta e seus ramos. A assimetria de pulsos e pressão arterial, juntamente com sintomas isquêmicos em membros superiores, são achados clássicos. O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir a progressão da doença, geralmente com corticosteroides e imunossupressores.

Contexto Educacional

A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta a aorta e seus principais ramos, bem como as artérias pulmonares. É mais comum em mulheres jovens (geralmente < 40 anos) e é conhecida como a 'doença dos pulsos ausentes' devido à frequente assimetria ou ausência de pulsos periféricos. A doença tem um curso bifásico, com uma fase inflamatória sistêmica e uma fase oclusiva crônica, que pode levar a isquemia de órgãos e membros. A fisiopatologia envolve uma inflamação da parede dos vasos, resultando em espessamento, estenose, oclusão ou aneurismas. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, achados de exame físico (assimetria de pulsos e pressão arterial, sopros) e exames de imagem como angiotomografia, angioressonância ou angiografia, que revelam as alterações vasculares. Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados (VHS, PCR) na fase ativa. O tratamento visa suprimir a inflamação e prevenir a progressão do dano vascular. Corticosteroides são a base do tratamento, frequentemente combinados com imunossupressores para permitir a redução da dose de esteroides e controlar a doença a longo prazo. A revascularização cirúrgica ou endovascular pode ser necessária para estenoses críticas, mas deve ser realizada preferencialmente na fase de doença inativa para melhores resultados. O acompanhamento periódico é fundamental para monitorar a atividade da doença e detectar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Arterite de Takayasu?

Os critérios diagnósticos incluem idade de início menor que 40 anos, claudicação de extremidades, diminuição de pulso braquial, diferença de pressão arterial >10 mmHg entre os braços, sopro em artéria subclávia ou aorta, e anormalidades angiográficas. A presença de três ou mais critérios sugere o diagnóstico.

Como a Arterite de Takayasu se manifesta clinicamente?

A doença pode apresentar-se com sintomas constitucionais (febre, mal-estar), sintomas isquêmicos (claudicação de membros, tontura, síncope), assimetria de pulsos e pressão arterial, e achados de imagem como estenoses ou oclusões em grandes artérias.

Qual o tratamento de primeira linha para a Arterite de Takayasu?

O tratamento de primeira linha envolve corticosteroides em altas doses para controlar a inflamação. Em casos refratários ou para poupar esteroides, imunossupressores como metotrexato, azatioprina ou agentes biológicos (anti-TNF, anti-IL-6) podem ser utilizados. O acompanhamento periódico é essencial.

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