TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Doença sem etiologia definida, mais frequente em mulheres jovens, compromete a aorta e seus ramos, cursando com estenoses e oclusão de troncos supra-aórticos, que podem levar a sintomas isquêmicos no território carotídeo, vertebrobasilar e de membros superiores. Esta descrição refere-se à:
Mulher jovem + claudicação de MMSS + ausência de pulsos/sopro carotídeo = Arterite de Takayasu.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa de grandes vasos que afeta predominantemente a aorta e seus ramos em mulheres jovens, levando a estenoses e isquemia.
A Arterite de Takayasu é uma vasculite primária crônica que desafia o diagnóstico precoce devido à sua fase sistêmica inicial inespecífica. Epidemiologicamente, atinge mulheres em idade fértil, com forte associação a populações asiáticas e latino-americanas. A fisiopatologia envolve uma inflamação granulomatosa da adventícia e média da aorta, levando à fibrose intimal e estreitamento luminal. O reconhecimento da 'doença sem pulso' é vital para evitar complicações graves como AVC, insuficiência aórtica e hipertensão renovascular. O manejo multidisciplinar entre reumatologia e cirurgia vascular é essencial para decidir o momento ideal de intervenções cirúrgicas ou endovasculares, que devem ser realizadas preferencialmente quando a doença está em remissão inflamatória para garantir a patência dos enxertos.
A Arterite de Takayasu geralmente evolui em duas fases. A fase inicial (pré-pulso ou inflamatória) apresenta sintomas sistêmicos inespecíficos como febre, mal-estar, sudorese noturna e perda de peso. A segunda fase (oclusiva ou sem pulso) decorre da inflamação crônica da parede arterial, resultando em estenoses, oclusões ou aneurismas. Nesta fase, surgem os sinais de isquemia de extremidades (claudicação), sopros vasculares, assimetria de pulsos e pressão arterial, além de sintomas neurológicos por acometimento de carótidas e vertebrais.
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos e exames de imagem. Os critérios do ACR incluem: idade de início < 40 anos, claudicação de extremidades, diminuição do pulso braquial, diferença de PA sistólica > 10 mmHg entre os braços, sopro sobre a aorta ou artérias subclávias e anormalidades arteriográficas. Exames como Angio-TC, Angio-RM ou PET-CT são fundamentais para visualizar o espessamento da parede arterial e as áreas de estenose ou dilatação na aorta e seus ramos principais.
O objetivo do tratamento é controlar a inflamação vascular e prevenir danos estruturais. A terapia de primeira linha consiste em corticosteroides em doses elevadas (prednisona 1mg/kg/dia). Em casos refratários ou para poupar o uso de corticoides, utilizam-se imunossupressores como metotrexato, azatioprina ou leflunomida. Agentes biológicos, especialmente inibidores do TNF-alfa (como infliximabe) ou inibidores da IL-6 (tocilizumabe), têm demonstrado grande eficácia no controle da doença ativa e na redução de recidivas.
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