Arterite de Takayasu: Diagnóstico e Critérios Clínicos

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 23 anos relata sentir fadiga por aproximadamente 18 meses, acompanhada de mal-estar e diminuição do apetite. Além disso, menciona uma perda de peso involuntária de 10 quilogramas nesse período. Ela passou por vários atendimentos médicos de urgência e emergência sem obter resolução para seus sintomas. A paciente também se queixa de dor na região do cíngulo do membro superior esquerdo, bem como de câimbras, principalmente durante ou após atividades físicas, o que a tem impedido de realizar suas tarefas diárias. Nas últimas semanas, ela apresentou tinutus, alterações auditivas subjetivas e lipotimia. A situação se agravou na última semana com dois episódios de síncope, acompanhados da sensação de "desmaiar acordada", levando-a a procurar atendimento médico ambulatorial. A paciente trouxe consigo diversos resultados de exames laboratoriais, que incluíram sorologias para infecções, um "painel reumatológico" e exames bioquímicos, todos dentro da faixa de normalidade, exceto por uma anemia com características inflamatórias.Acerca do quadro clínico exposto, etiologias possíveis, considerando a imagem apresentada, bem como diagnósticos diferenciais e os conhecimentos correlatos que suscitam, julgue o item.No exame físico, a presença de diminuição ou ausência de pulso nas artérias axilar, braquial ou radial do lado direito da paciente pode ser indicativa dos critérios de classificação da Arterite de Takayasu.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Takayasu = vasculite granulomatosa de grandes vasos em mulheres < 40 anos com assimetria de pulsos e PA.

Resumo-Chave

A Arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que causa estenoses arteriais. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos e radiológicos, como idade jovem, claudicação e redução de pulsos em membros superiores.

Contexto Educacional

A Arterite de Takayasu (AT) é uma vasculite crônica, idiopática e granulomatosa que afeta predominantemente a aorta e seus ramos principais, além das artérias pulmonares. É classicamente descrita em mulheres jovens, com pico de incidência na segunda e terceira décadas de vida. A patogênese envolve uma inflamação transmural que leva ao espessamento da íntima, fibrose da média e adventícia, resultando em estenoses, oclusões ou, menos frequentemente, dilatações aneurismáticas. Clinicamente, a AT evolui de uma fase inflamatória sistêmica para uma fase obstrutiva isquêmica. O diagnóstico exige alto índice de suspeição em pacientes jovens com hipertensão arterial (especialmente se renovascular), assimetria de pulsos ou sopros vasculares. O tratamento baseia-se em corticoterapia de alta dose, frequentemente associada a imunossupressores (como metotrexato ou azatioprina) ou agentes biológicos (anti-TNF ou anti-IL6) para controle da progressão vascular.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios classificatórios do ACR para Arterite de Takayasu?

Os critérios do American College of Rheumatology (ACR) de 1990 incluem: 1. Idade de início dos sintomas < 40 anos; 2. Claudicação de extremidades (especialmente membros superiores); 3. Diminuição do pulso da artéria braquial; 4. Diferença de pressão arterial sistólica > 10 mmHg entre os braços; 5. Sopro sobre as artérias subclávias ou aorta abdominal; 6. Alterações arteriográficas (estreitamento ou oclusão da aorta ou seus ramos primários). A presença de pelo menos 3 desses 6 critérios confere alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico.

Como se apresenta a fase inicial (pré-pulso) da Arterite de Takayasu?

A fase inicial, ou inflamatória, é caracterizada por sintomas sistêmicos inespecíficos como febre, mal-estar, fadiga, perda de peso, artralgia e mialgia. Laboratorialmente, observa-se elevação de marcadores de fase aguda (VHS e PCR) e anemia de doença crônica (inflamatória). Nesta fase, os pulsos ainda podem estar preservados, o que frequentemente retarda o diagnóstico até que as lesões estenóticas cicatriciais (fase oclusiva) se desenvolvam, levando aos sintomas isquêmicos clássicos.

Qual o papel dos exames de imagem no manejo da Arterite de Takayasu?

A imagem é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para o monitoramento. A angiografia convencional era o padrão-ouro, mas foi substituída por métodos não invasivos como Angiotomografia (Angio-TC) e Angiorressonância (Angio-RM), que permitem avaliar não apenas o lúmen, mas também o espessamento da parede arterial (sinal de atividade). O PET-CT também é útil para detectar inflamação ativa na parede dos vasos. O acompanhamento visa identificar novas estenoses, aneurismas ou progressão de lesões existentes.

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