Arterite de Takayasu: Diagnóstico em Mulheres Jovens

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 30 anos, queixando-se de dor em membro superior esquerdo após esforços, de início há 6 meses. Associa ao mesmo período episódios de febre, diária, não aferida e cefaleias esporádicas de resolução espontânea. Neste intervalo apresentou crises hipertensivas importantes. Nega comorbidades. Nega tabagismo/etilismo. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, bulhas rítmicas em 2 tempos, sem sopros audíveis, pressão arterial sistólica em repouso de 160 mmHg, ausculta pulmonar sem alterações. Ao exame: Perfusão lentificada no antebraço esquerdo, sem lesões de pele e fâneros, com pulso filiforme da a. braquial. Após coleta de exames séricos, notou-se aumento de provas inflamatórias. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Esclerodermia vascular.
  2. B) Doença de Buerguer.
  3. C) Embolia arterial crônica.
  4. D) Arterite de Takayasu.

Pérola Clínica

Mulher jovem + claudicação MS + hipertensão + pulsos assimétricos/filiformes + inflamação sistêmica → Arterite de Takayasu.

Resumo-Chave

A Arterite de Takayasu é uma vasculite de grandes vasos que afeta predominantemente mulheres jovens, manifestando-se com claudicação de membros, hipertensão arterial (por estenose de artérias renais ou aorta), assimetria de pulsos e sintomas sistêmicos como febre e elevação de provas inflamatórias.

Contexto Educacional

A Arterite de Takayasu é uma vasculite granulomatosa crônica que afeta a aorta e seus principais ramos, bem como as artérias pulmonares. É mais comum em mulheres jovens (geralmente entre 10 e 40 anos) e é caracterizada por inflamação da parede dos vasos, levando a estenoses, oclusões, dilatações ou aneurismas. A doença é progressiva e pode causar isquemia de órgãos e tecidos, além de hipertensão arterial sistêmica. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória autoimune que danifica a camada média e adventícia dos grandes vasos. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais (fase pré-oclusiva, com febre, fadiga, mialgia) e à variabilidade das manifestações clínicas na fase oclusiva, que dependem dos vasos acometidos. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com claudicação de membros, assimetria de pulsos, hipertensão inexplicável ou sopros vasculares. O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir a progressão da doença. Corticosteroides são a primeira linha, frequentemente combinados com agentes imunossupressores para permitir a redução da dose de corticoides. Em casos de estenoses significativas que causam isquemia ou hipertensão grave, ou aneurismas, procedimentos de revascularização (angioplastia, bypass) podem ser indicados. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido à natureza crônica e recidivante da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Arterite de Takayasu?

Os sintomas incluem claudicação de membros (especialmente superiores), assimetria de pulsos ou ausência de pulsos, hipertensão arterial (frequentemente refratária), sopros vasculares, e sintomas sistêmicos como febre, fadiga e perda de peso.

Como é feito o diagnóstico da Arterite de Takayasu?

O diagnóstico é baseado na clínica (sintomas e exame físico), elevação de provas inflamatórias (VHS, PCR) e confirmado por exames de imagem que demonstram estenoses, oclusões ou aneurismas em grandes vasos, como angiotomografia, angioressonância ou arteriografia.

Qual o tratamento para a Arterite de Takayasu?

O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides em altas doses para controlar a inflamação, seguido por imunossupressores poupadores de corticoides. Em casos de estenoses graves ou aneurismas, intervenções cirúrgicas ou endovasculares podem ser necessárias.

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