CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Paciente de 80 anos de idade apresenta quadro de cefaleia, dificuldade à mastigação, perda visual súbita e grave, unilateral (percepção luminosa) e fundo de olho com edema pálido do disco óptico. Considerando a principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
Amaurose fugaz em idoso com cefaleia → Alerta vermelho para Arterite de Células Gigantes.
A perda visual transitória (amaurose fugaz) é um sintoma premonitório crucial na Arterite de Células Gigantes, indicando isquemia iminente e irreversível do nervo óptico.
A Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma vasculite de grandes e médios vasos que acomete preferencialmente ramos da artéria carótida externa. A complicação mais temida é a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIA-A), causada pela oclusão das artérias ciliares posteriores curtas. O quadro clínico típico envolve pacientes acima de 50 anos com cefaleia de início recente, sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula e sintomas sistêmicos (febre, perda de peso). O tratamento com pulsoterapia de metilprednisolona ou altas doses de prednisona oral deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica para proteger o olho contralateral, que pode ser acometido em dias se não tratado.
A amaurose fugaz é uma perda visual transitória que ocorre devido a episódios de hipoperfusão do nervo óptico ou da retina. Na arterite de células gigantes, ela é um sinal de alerta crítico, precedendo a perda visual permanente (NOIA-A) em muitos pacientes, indicando a necessidade de tratamento imediato.
Na fase aguda da neuropatia óptica isquêmica anterior arterítica (NOIA-A), observa-se um edema pálido do disco óptico, frequentemente associado a hemorragias peridiscais. Diferente da forma não-arterítica, a palidez é muito acentuada, refletindo a interrupção severa do fluxo pelas artérias ciliares posteriores curtas.
Embora a elevação do VHS (Velocidade de Hemossedimentação) e da PCR (Proteína C-Reativa) seja extremamente comum na arterite de células gigantes, valores normais não excluem o diagnóstico em 100% dos casos. Se a suspeita clínica for alta (cefaleia, claudicação de mandíbula, sintomas polimiálgicos), a investigação deve prosseguir com biópsia.
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