Arterite de Células Gigantes: Diagnóstico e Sinais Chave

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 70 anos de idade, procura atendimento clínico por quadro de cefaleia intensa em região temporal, há 4 meses. Queixa-se ainda de fadiga importante, perda da acuidade visual e perda ponderal não aferida. Ao exame, apresentase em regular estado geral, emagrecida, subfebril; demais sinais vitais estáveis. Apresenta alodínia em região de couro cabeludo e claudicação de mandíbula.Considerando o caso clínico descrito, indique o diagnóstico mais provável para o paciente:

Alternativas

  1. A) Neuromielite óptica.
  2. B) Arterite de células gigantes
  3. C) Cefaleia em salvas.
  4. D) Nevralgia do nervo trigêmeo.

Pérola Clínica

Arterite de Células Gigantes (ACG) em idoso >50 anos: cefaleia temporal + claudicação de mandíbula + perda visual + fadiga/perda ponderal. Urgência diagnóstica/terapêutica para prevenir cegueira.

Resumo-Chave

A Arterite de Células Gigantes (ACG), ou Arterite Temporal, deve ser fortemente suspeitada em idosos com cefaleia temporal nova, claudicação de mandíbula, fadiga e perda visual. É uma emergência reumatológica devido ao risco de cegueira irreversível.

Contexto Educacional

A Arterite de Células Gigantes (ACG), também conhecida como Arterite Temporal, é uma vasculite sistêmica granulomatosa que afeta predominantemente as artérias de médio e grande calibre, especialmente os ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal. É a vasculite mais comum em adultos, com incidência que aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos e mais frequente em mulheres. Sua importância clínica reside no risco de complicações graves, como cegueira irreversível e acidente vascular cerebral. O diagnóstico da ACG é baseado em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e histopatológicos. Os sintomas clássicos incluem cefaleia temporal nova, claudicação de mandíbula, sensibilidade no couro cabeludo, fadiga, perda ponderal e febre. A perda súbita da acuidade visual é uma emergência oftalmológica e reumatológica. Laboratorialmente, observa-se elevação da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C reativa (PCR). A biópsia da artéria temporal é o padrão-ouro para confirmação, mostrando inflamação granulomatosa e células gigantes multinucleadas. O tratamento da ACG é uma urgência médica e consiste na administração imediata de corticosteroides em altas doses para prevenir a cegueira e outras complicações isquêmicas. A dose e a duração do tratamento variam conforme a gravidade e a resposta clínica. Para residentes, a alta suspeição clínica em pacientes idosos com os sintomas característicos é fundamental para um diagnóstico e tratamento precoces, evitando sequelas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da Arterite de Células Gigantes (ACG)?

Os sintomas clássicos da ACG incluem cefaleia temporal unilateral ou bilateral (nova ou diferente da usual), dor e sensibilidade no couro cabeludo (alodínia), claudicação de mandíbula (dor ao mastigar), fadiga, perda ponderal, febre baixa e, mais gravemente, perda súbita e indolor da visão (amaurose fugaz ou permanente).

Por que a perda da acuidade visual é uma preocupação na ACG?

A perda da acuidade visual é uma preocupação crítica na ACG porque é uma complicação grave e potencialmente irreversível, causada pela vasculite que afeta as artérias oftálmicas e ciliares. A isquemia do nervo óptico pode levar à cegueira permanente se o tratamento não for iniciado rapidamente.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de Arterite de Células Gigantes?

Em caso de forte suspeita de ACG, a conduta inicial é iniciar imediatamente a corticoterapia em altas doses (geralmente prednisona oral ou metilprednisolona intravenosa se houver perda visual), mesmo antes da confirmação diagnóstica por biópsia da artéria temporal, para prevenir a perda visual irreversível.

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