Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 64 anos previamente hígida apresenta há cerca de 1 mês cefaleia intensa que não cede com analgésicos comuns, febre baixa, quase diária. A biópsia de uma artéria craniana diagnosticou arterite de células gigantes, afecção na qual podem ocorrer as alterações abaixo, EXCETO
Arterite de Células Gigantes (ACG) → vasculite de grandes vasos em >50 anos, com cefaleia, claudicação mandibular e risco de cegueira.
A Arterite de Células Gigantes é uma vasculite sistêmica que afeta artérias de grande e médio calibre, não se restringindo aos ramos do arco aórtico. Embora a artéria temporal seja classicamente envolvida, o acometimento da aorta (aortite) e seus ramos é comum.
A Arterite de Células Gigantes (ACG), também conhecida como arterite temporal, é a vasculite primária mais comum em adultos com mais de 50 anos. Trata-se de uma inflamação granulomatosa que afeta artérias de grande e médio calibre, com predileção pelos ramos da artéria carótida, especialmente a artéria temporal. No entanto, é uma doença sistêmica e pode acometer a aorta e seus ramos principais (subclávia, axilar, ilíaca), não sendo restrita a uma única topografia vascular. O quadro clínico clássico inclui cefaleia de início recente, claudicação mandibular, hipersensibilidade do couro cabeludo e sintomas constitucionais como febre de origem obscura, fadiga e anemia de doença crônica. A complicação mais temida é a perda visual súbita e irreversível, decorrente da neurite óptica isquêmica anterior por oclusão da artéria ciliar posterior. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado pela biópsia da artéria temporal, que revela um infiltrado inflamatório com células gigantes multinucleadas. O tratamento deve ser iniciado prontamente na suspeita clínica para prevenir a cegueira. A base do tratamento são os glicocorticoides em altas doses (ex: prednisona 1mg/kg/dia). A forte associação com a Polimialgia Reumática (PMR) deve ser sempre lembrada, pois muitos pacientes apresentam sintomas de ambas as condições simultaneamente.
Os sintomas de alarme incluem amaurose fugaz (perda visual transitória), diplopia ou visão embaçada. A perda visual súbita e indolor é uma emergência médica, causada por neurite óptica isquêmica anterior, e exige tratamento imediato com altas doses de corticoide.
O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, sem esperar o resultado da biópsia. Utiliza-se altas doses de prednisona (1 mg/kg/dia). Em caso de ameaça de visão ou perda visual estabelecida, a pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa é indicada.
São duas condições fortemente associadas. Cerca de 50% dos pacientes com ACG têm sintomas de Polimialgia Reumática (dor e rigidez em cinturas escapular e pélvica), e cerca de 15-20% dos pacientes com PMR desenvolvem ACG. Ambas respondem bem a corticoides.
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