CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2021
Assinale a afirmativa CORRETA:
Arterite de Células Gigantes → >50 anos + VHS ↑↑ + Cefaleia; Biópsia = Padrão-ouro.
A Arterite de Células Gigantes (ACG) e a Polimialgia Reumática (PMR) são condições correlacionadas, mas a ACG exige diagnóstico histopatológico e doses maiores de corticoides para evitar perda visual.
A Arterite de Células Gigantes é a vasculite sistêmica mais comum em adultos acima de 50 anos. Sua fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T na parede arterial, levando à oclusão luminal. A associação com a Polimialgia Reumática ocorre em cerca de 50% dos pacientes com ACG, caracterizando-se por dor e rigidez matinal em cinturas escapular e pélvica. Na prática clínica e em provas de residência, é crucial reconhecer que a ACG é uma causa evitável de cegueira irreversível. O tratamento com corticoides não deve ser retardado enquanto se aguarda a biópsia, pois a histologia permanece positiva por até duas semanas após o início da medicação. O manejo crônico foca na redução gradual da corticoterapia e monitoramento de recidivas.
O padrão-ouro para o diagnóstico de certeza da Arterite de Células Gigantes (ACG) é a biópsia da artéria temporal. O procedimento deve ser realizado preferencialmente em um segmento de 2 a 3 cm da artéria, devido à natureza segmentar das lesões (skip lesions). Embora exames de imagem como o Doppler de artérias temporais (sinal do halo) e a angiotomografia/angiorressonância tenham ganhado espaço, a histopatologia revelando infiltrado inflamatório mononuclear com ou sem células gigantes permanece como a referência definitiva.
Embora frequentemente coexistam, o manejo terapêutico difere na dosagem. A Polimialgia Reumática (PMR) responde dramaticamente a doses baixas de prednisona (12,5 a 20 mg/dia). Já a Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma emergência médica devido ao risco de amaurose, exigindo doses altas de corticoides (40 a 60 mg/dia ou pulsoterapia se houver perda visual iminente). O uso isolado de anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) é insuficiente para o controle inflamatório e prevenção de complicações em ambas as condições.
Os achados laboratoriais mais característicos são a elevação acentuada da velocidade de hemossedimentação (VHS), frequentemente acima de 50 mm na primeira hora (podendo superar 100 mm), e da Proteína C-Reativa (PCR). Além disso, é comum observar anemia de doença crônica (normocítica e normocrômica) e trombocitose reacional. A ausência de marcadores inflamatórios elevados torna o diagnóstico de ACG ou PMR altamente improvável, embora não o exclua totalmente em casos atípicos.
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