UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Pode-se afirmar, a respeito das vasculites, que:
Idoso + Cefaleia nova + VHS elevado → Suspeitar de Arterite de Células Gigantes (ACG).
A Arterite de Células Gigantes é a vasculite sistêmica mais comum em idosos, caracterizada por inflamação de grandes vasos e forte associação com polimialgia reumática.
As vasculites são classificadas pelo calibre dos vasos acometidos. A Arterite de Células Gigantes (ACG) é o protótipo da vasculite de grandes vasos no idoso. Sua fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T na adventícia vascular, levando à formação de granulomas e hiperplasia intimal. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de neuropatia óptica isquêmica anterior, que pode levar à cegueira bilateral. O tratamento baseia-se em corticoterapia sistêmica prolongada, por vezes associada a poupadores de corticoide como o tocilizumabe.
Os sintomas clássicos incluem cefaleia de início recente (geralmente temporal), claudicação de mandíbula ao mastigar, hipersensibilidade no couro cabeludo e sintomas visuais como amaurose fugaz ou diplopia. Sistemicamente, o paciente pode apresentar febre, perda de peso e fadiga. A associação com a polimialgia reumática é frequente, manifestando-se como dor e rigidez matinal em cinturas escapular e pélvica. Laboratorialmente, o VHS e a PCR costumam estar marcadamente elevados.
O padrão-ouro para o diagnóstico é a biópsia da artéria temporal, que demonstra pan-arterite com infiltrado de células mononucleares e, frequentemente, células gigantes e fragmentação da lâmina elástica interna. Devido ao caráter segmentar da doença ('skip lesions'), recomenda-se a coleta de um segmento longo da artéria (2-3 cm). Atualmente, a ultrassonografia de artérias temporais (sinal do halo) e a angiotomografia/angiorressonância de grandes vasos têm ganhado espaço como métodos auxiliares ou alternativos.
A Arterite de Células Gigantes e a Polimialgia Reumática (PMR) são condições intimamente relacionadas, ocorrendo frequentemente no mesmo espectro de pacientes (acima de 50 anos). Cerca de 40-50% dos pacientes com ACG apresentam sintomas de PMR, enquanto cerca de 15-20% dos pacientes com PMR isolada podem desenvolver ACG. Ambas respondem dramaticamente ao uso de corticosteroides, embora a ACG exija doses significativamente mais elevadas para prevenir complicações isquêmicas.
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