Arterite de Células Gigantes: Diagnóstico e Associações

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Pode-se afirmar, a respeito das vasculites, que:

Alternativas

  1. A) A arterite de células gigantes é caracterizada por VHS elevado e cefaléia em indivíduos ˃ 50 anos, às vezes associada à polimialgia reumática.
  2. B) Em mulher jovem com diminuição dos pulsos periféricos e discrepâncias na PAS, deve-se pensar no diagnóstico de poliangeíte com granulomatose.
  3. C) O acometimento renal da vasculite por IgA é caracterizado por arterite sem glomerulonefrite.
  4. D) Em paciente com crioglobulinemia, a biópsia de pele pode ser útil para confirmar a presença de vasculite com depósito de IgA e C3 por imunofluorescência.

Pérola Clínica

Idoso + Cefaleia nova + VHS elevado → Suspeitar de Arterite de Células Gigantes (ACG).

Resumo-Chave

A Arterite de Células Gigantes é a vasculite sistêmica mais comum em idosos, caracterizada por inflamação de grandes vasos e forte associação com polimialgia reumática.

Contexto Educacional

As vasculites são classificadas pelo calibre dos vasos acometidos. A Arterite de Células Gigantes (ACG) é o protótipo da vasculite de grandes vasos no idoso. Sua fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T na adventícia vascular, levando à formação de granulomas e hiperplasia intimal. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de neuropatia óptica isquêmica anterior, que pode levar à cegueira bilateral. O tratamento baseia-se em corticoterapia sistêmica prolongada, por vezes associada a poupadores de corticoide como o tocilizumabe.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas da Arterite de Células Gigantes?

Os sintomas clássicos incluem cefaleia de início recente (geralmente temporal), claudicação de mandíbula ao mastigar, hipersensibilidade no couro cabeludo e sintomas visuais como amaurose fugaz ou diplopia. Sistemicamente, o paciente pode apresentar febre, perda de peso e fadiga. A associação com a polimialgia reumática é frequente, manifestando-se como dor e rigidez matinal em cinturas escapular e pélvica. Laboratorialmente, o VHS e a PCR costumam estar marcadamente elevados.

Como é feito o diagnóstico definitivo de ACG?

O padrão-ouro para o diagnóstico é a biópsia da artéria temporal, que demonstra pan-arterite com infiltrado de células mononucleares e, frequentemente, células gigantes e fragmentação da lâmina elástica interna. Devido ao caráter segmentar da doença ('skip lesions'), recomenda-se a coleta de um segmento longo da artéria (2-3 cm). Atualmente, a ultrassonografia de artérias temporais (sinal do halo) e a angiotomografia/angiorressonância de grandes vasos têm ganhado espaço como métodos auxiliares ou alternativos.

Qual a relação entre ACG e Polimialgia Reumática?

A Arterite de Células Gigantes e a Polimialgia Reumática (PMR) são condições intimamente relacionadas, ocorrendo frequentemente no mesmo espectro de pacientes (acima de 50 anos). Cerca de 40-50% dos pacientes com ACG apresentam sintomas de PMR, enquanto cerca de 15-20% dos pacientes com PMR isolada podem desenvolver ACG. Ambas respondem dramaticamente ao uso de corticosteroides, embora a ACG exija doses significativamente mais elevadas para prevenir complicações isquêmicas.

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