Arterite de Células Gigantes: Diagnóstico e Conduta Urgente

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 76 anos de idade, hipertenso, refere baixa visual súbita à direita, cefaleia, emagrecimento, dores musculares de início recente e dificuldade à mastigação. Ao exame apresenta acuidade visual de "conta dedos" no olho direito e 1,00 no olho esquerdo, defeito pupilar aferente relativo à direita, fundo de olho com edema de disco pálido e difuso, associado a oclusão da artéria ciliorretiniana à direita. Sobre o diagnóstico mais provável, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A presença de disco óptico com escavação aumentada no olho contralateral reforça o diagnóstico.
  2. B) O principal exame a ser solicitado é o da hemoglobina glicosilada.
  3. C) Deve-se encaminhar o paciente para biópsia de artéria temporal e aguardar o resultado antes de se iniciar o tratamento.
  4. D) O tratamento é importante neste caso para prevenir perda visual do olho contralateral.

Pérola Clínica

Cefaleia + Claudicação mandíbula + Baixa visual súbita em idoso → Arterite de Células Gigantes (Urgência!).

Resumo-Chave

A Arterite de Células Gigantes é uma vasculite de grandes vasos que exige tratamento imediato com corticoides para prevenir a cegueira irreversível no olho contralateral.

Contexto Educacional

A Arterite de Células Gigantes (ACG) é a vasculite sistêmica mais comum em adultos acima de 50 anos. A fisiopatologia envolve uma resposta imune mediada por células T contra antígenos na parede arterial, levando à oclusão luminal. Na oftalmologia, manifesta-se classicamente como Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIA-A), caracterizada por edema de disco pálido e, ocasionalmente, oclusão da artéria ciliorretiniana, um sinal altamente sugestivo de ACG. O manejo clínico exige alta suspeição. Diante de um idoso com sintomas constitucionais e queixas visuais, a dosagem de marcadores inflamatórios (VHS e PCR) deve ser imediata. A biópsia pode ser realizada em até 1 a 2 semanas após o início do corticoide sem perder sua sensibilidade diagnóstica, reforçando que o tratamento nunca deve ser retardado por exames complementares.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas sistêmicos da Arterite de Células Gigantes?

Os pacientes frequentemente apresentam cefaleia de início recente (geralmente temporal), claudicação da mandíbula ao mastigar, hipersensibilidade no couro cabeludo, febre de origem indeterminada, perda de peso e mialgias proximais (polimialgia reumática). A baixa visual súbita é a complicação mais temida, ocorrendo por isquemia da cabeça do nervo óptico.

Como é feito o diagnóstico definitivo desta condição?

O padrão-ouro é a biópsia da artéria temporal, que deve mostrar inflamação granulomatosa e fragmentação da lâmina elástica interna. No entanto, devido ao caráter segmentar da doença ('skip lesions'), uma biópsia negativa não exclui o diagnóstico se a suspeita clínica for alta. Exames laboratoriais como VHS e PCR elevados corroboram fortemente o quadro.

Qual o papel do tratamento imediato no olho contralateral?

O tratamento com pulsoterapia de metilprednisolona ou doses altas de prednisona oral visa interromper a cascata inflamatória sistêmica. O principal objetivo não é recuperar a visão do olho já afetado (que costuma ter prognóstico ruim), mas sim proteger o olho contralateral, que pode ser acometido em dias ou semanas se não houver intervenção.

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