CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente de 70 anos apresenta cefaleia e claudicação de mandíbula, associadas á baixa visual súbita, unilateral, com edema pálido de papila e oclusão da artéria ciliorretiniana. Considerando a hipótese clínica mais provável, assinale a alternativa correta:
Cefaleia + claudicação de mandíbula + ↑VHS/PCR → Arterite de Células Gigantes.
A Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma vasculite de grandes vasos que exige diagnóstico rápido para evitar cegueira bilateral. VHS e PCR são marcadores sensíveis para diagnóstico e acompanhamento.
A Arterite de Células Gigantes (ACG) é a vasculite sistêmica mais comum em adultos acima de 50 anos. Sua fisiopatologia envolve uma inflamação granulomatosa da camada média das artérias de médio e grande calibre, com predileção pelos ramos da carótida externa. A oclusão vascular leva a complicações isquêmicas graves, sendo a perda visual por NOIA-A a mais temida. O manejo clínico baseia-se na suspeição imediata. O tratamento padrão-ouro é a corticoterapia em doses elevadas (frequentemente pulsoterapia se houver perda visual) iniciada precocemente. A biópsia da artéria temporal continua sendo o padrão-ouro diagnóstico, mas o tratamento nunca deve ser retardado por ela. O acompanhamento a longo prazo foca no controle inflamatório e na prevenção de efeitos colaterais dos esteroides.
A Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e a Proteína C Reativa (PCR) são marcadores de fase aguda extremamente sensíveis na ACG. Embora não sejam específicos, níveis elevados em um paciente idoso com sintomas compatíveis (cefaleia, perda visual, claudicação) reforçam fortemente o diagnóstico. Além disso, são ferramentas fundamentais para monitorar a resposta ao tratamento com corticosteroides e detectar recidivas durante o desmame da medicação.
A claudicação de mandíbula é a dor ou fadiga nos músculos da mastigação que ocorre durante o uso (como ao comer) e melhora com o repouso. É causada pela isquemia das artérias maxilares e faciais devido à vasculite. É um dos sintomas mais específicos para a Arterite de Células Gigantes, apresentando um alto valor preditivo positivo para o diagnóstico quando associada a outros sinais sistêmicos.
Na ACG, a perda visual súbita geralmente decorre de uma Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIA-A). O edema de papila característico é descrito como 'pálido' ou 'giz-branco', indicando uma interrupção severa do fluxo sanguíneo pelas artérias ciliares posteriores curtas. Isso difere da NOIA não-arterítica, onde o edema costuma ser mais hiperemiado ou acompanhado de hemorragias em chama de vela mais discretas.
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