PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023
Mulher, 70 anos de idade, procura atendimento clínico por quadro de cefaleia intensa em região temporal, há 4 meses. Queixa-se ainda de fadiga importante, perda da acuidade visual e perda ponderal não aferida. Ao exame, apresentase em regular estado geral, emagrecida, subfebril; demais sinais vitais estáveis. Apresenta alodínia em região de couro cabeludo e claudicação de mandíbula.Indique o exame padrão-ouro para o diagnóstico mais provável:
Cefaleia temporal + Claudicação de mandíbula + Idoso → Biópsia de Artéria Temporal (Padrão-ouro).
A Arterite de Células Gigantes (ACG) é a vasculite sistêmica mais comum em idosos. O diagnóstico padrão-ouro é a biópsia da artéria temporal, mas o tratamento com corticoide deve ser imediato se houver risco visual.
A Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma vasculite que acomete predominantemente ramos da artéria carótida externa em pacientes acima de 50 anos. A fisiopatologia envolve uma resposta imune Th1 e Th17 mediada por células dendríticas na adventícia da artéria, levando à formação de granulomas e estenose luminal. A complicação mais temida é a oclusão da artéria oftálmica ou das artérias ciliares posteriores curtas, resultando em neuropatia óptica isquêmica anterior e cegueira. Por isso, diante de forte suspeita clínica e VHS/PCR elevados, a pulsoterapia ou altas doses de prednisona devem ser iniciadas prontamente. O manejo a longo prazo foca na redução gradual do corticoide e, por vezes, no uso de poupadores como o Tocilizumabe.
Os sintomas cardinais incluem cefaleia de início recente (geralmente temporal), claudicação de mandíbula ao mastigar, hipersensibilidade do couro cabeludo (alodínia) e sintomas visuais como amaurose fugaz ou diplopia. Sintomas sistêmicos como febre, fadiga e perda ponderal também são comuns, além da associação frequente com a Polimialgia Reumática.
Devido à natureza segmentar da inflamação ('skip lesions'), a biópsia deve colher um segmento longo da artéria (pelo menos 1 a 2 cm) para aumentar a sensibilidade. O procedimento deve ser realizado preferencialmente em até 1 a 2 semanas após o início dos corticoides para não perder os achados histopatológicos típicos, como o infiltrado de células gigantes e a fragmentação da lâmina elástica interna.
O Doppler de artérias temporais pode mostrar o 'sinal do halo' (edema da parede arterial), que tem alta especificidade. Em alguns centros europeus, o Doppler realizado por especialistas experientes é aceito para o diagnóstico, mas a biópsia da artéria temporal continua sendo o padrão-ouro global, especialmente em casos duvidosos.
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