Arterite de Células Gigantes: Diagnóstico e Manejo Visual

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Qual das condições está mais provavelmente associada aos achados fundoscópico (Figura A) e angiográfico (Figura B) abaixo?

Alternativas

  1. A) Deficiência de vitamina B12
  2. B) Doença de herança mitocondrial
  3. C) Esclerose múltipla
  4. D) Arterite de células gigantes

Pérola Clínica

Perda visual súbita + palidez de disco + VHS/PCR ↑↑ → Arterite de Células Gigantes.

Resumo-Chave

A Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma vasculite de grandes vasos que causa isquemia do nervo óptico; o diagnóstico rápido é vital para evitar a cegueira bilateral.

Contexto Educacional

A Arterite de Células Gigantes (ACG) é uma vasculite sistêmica idiopática que afeta artérias de médio e grande calibre, ocorrendo quase exclusivamente em pacientes com mais de 50 anos. A complicação oftalmológica mais temida é a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIAA), causada pela oclusão das artérias ciliares posteriores curtas, que suprem a cabeça do nervo óptico. Clinicamente, os pacientes podem apresentar cefaleia temporal, claudicação de mandíbula, polimialgia reumática e sintomas constitucionais. A perda visual é tipicamente súbita, grave e associada a um defeito pupilar aferente relativo. A angiografia fluoresceínica é uma ferramenta diagnóstica crucial, demonstrando o hipofluxo coroidiano. O manejo deve ser agressivo com corticoides para prevenir a oclusão vascular em outros territórios, especialmente no olho contralateral e no sistema nervoso central.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados fundoscópicos típicos da NOIA arterítica?

Na fase aguda da Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Arterítica (NOIAA), o disco óptico apresenta-se com edema pálido (chalky white edema), muitas vezes associado a hemorragias peridiscais em chama de vela e manchas algodonosas. Diferente da forma não-arterítica, a palidez é muito mais pronunciada. Na angiografia fluoresceínica, observa-se um atraso significativo ou falha no preenchimento coroidiano, refletindo a isquemia das artérias ciliares posteriores curtas.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da Arterite de Células Gigantes?

O diagnóstico baseia-se na tríade de clínica, marcadores inflamatórios e biópsia. Laboratorialmente, observa-se elevação acentuada da Velocidade de Hemossedimentação (VHS), frequentemente acima de 70-100 mm/h, e da Proteína C Reativa (PCR). A PCR é considerada mais sensível que a VHS. O padrão-ouro para confirmação é a biópsia da artéria temporal, que deve ter pelo menos 2-3 cm de comprimento devido à natureza descontínua das lesões (skip lesions).

Qual o tratamento imediato para evitar a perda visual no olho contralateral?

A conduta imediata diante da suspeita clínica de ACG com comprometimento visual é a pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa (0,5 a 1g/dia por 3 dias), seguida de corticoterapia oral em doses altas (prednisona 1mg/kg/dia). O objetivo principal não é recuperar a visão do olho afetado, que geralmente é irreversível, mas proteger o olho contralateral, que pode ser acometido em dias ou semanas se não tratado.

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