Artéria Hepática Direita Substituída na Cirurgia de Whipple

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Renato, 64 anos, é submetido a uma duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) devido a um adenocarcinoma de cabeça de pâncreas. Durante a etapa de dissecção do processo uncinado e liberação da borda lateral da artéria mesentérica superior (AMS), o cirurgião identifica um vaso arterial de calibre considerável que se origina da face lateral direita da AMS e segue um trajeto ascendente, posicionando-se posteriormente à veia porta em direção ao hilo hepático. Não há sinais de invasão tumoral macroscópica envolvendo este vaso. Com base na anatomia cirúrgica e nas variações vasculares frequentes nesta região, a conduta correta em relação a esse achado é:

Alternativas

  1. A) Realizar a ressecção segmentar do vaso seguida de anastomose término-terminal, pois variações retroportais impedem a margem de ressecção R0.
  2. B) Identificar a estrutura como uma artéria hepática direita substituída e realizar sua preservação cuidadosa durante a ressecção do espécime.
  3. C) Ligar o vaso na sua origem na artéria mesentérica superior, pois trata-se de uma artéria pancreatoduodenal inferior hipertrofiada pelo efeito 'shun' do tumor.
  4. D) Proceder à ligadura e secção do vaso, uma vez que se trata da artéria gastroduodenal em uma posição anômala, necessária para a mobilização do bloco.

Pérola Clínica

Vaso retroportal da AMS para o hilo hepático = Artéria Hepática Direita Substituída → Preservar sempre.

Resumo-Chave

A artéria hepática direita substituída (Michels tipo III) nasce da AMS e cruza posteriormente à veia porta; sua identificação e preservação são cruciais para evitar isquemia biliar e hepática.

Contexto Educacional

A anatomia vascular do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior apresenta variações em até 20-30% dos indivíduos. Na cirurgia de Whipple, a manobra de Kocher ampla e a palpação do ligamento hepatoduodenal são passos iniciais para detectar pulsações anômalas. A presença de um vaso calibroso à direita da veia porta, originando-se da AMS, define a variante de Michels III. A preservação é a regra, pois a ligadura pode comprometer a anastomose biliodigestiva.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a artéria hepática direita substituída?

A artéria hepática direita substituída é uma variação anatômica comum (Classificação de Michels Tipo III) onde o vaso se origina da artéria mesentérica superior (AMS) em vez da artéria hepática própria. Cirurgicamente, ela é identificada durante a dissecção do processo uncinado, apresentando um trajeto ascendente e posterior à veia porta e à artéria gastroduodenal. É fundamental reconhecê-la precocemente na duodenopancreatectomia para evitar lesões acidentais, pois ela é a principal fonte de suprimento arterial para o lobo direito do fígado e para os ductos biliares.

Qual a conduta se a artéria estiver envolvida pelo tumor?

Se a artéria hepática direita substituída estiver macroscopicamente invadida pelo adenocarcinoma de pâncreas, a decisão entre ressecção com reconstrução vascular ou paliação depende do estadiamento global e da experiência da equipe cirúrgica. Em casos de 'borderline resectable', a reconstrução pode ser necessária para garantir margens R0, mas a ligadura simples sem reconstrução é proscrita devido ao alto risco de isquemia hepática segmentar e fístula biliar por isquemia do colédoco.

Como diferenciar este vaso da artéria pancreatoduodenal inferior?

A diferenciação é baseada no calibre e no trajeto. A artéria pancreatoduodenal inferior (APDI) é geralmente de menor calibre e se ramifica precocemente para suprir a cabeça do pâncreas e o duodeno. Já a artéria hepática direita substituída possui calibre considerável (similar à hepática própria) e segue um trajeto retilíneo ascendente em direção ao ligamento hepatoduodenal, posicionando-se lateralmente e atrás da veia porta.

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