CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
A artéria hialoide que penetra a fissura embrionária do cálice óptico dará origem a:
Artéria hialoide (fissura embrionária) → Artéria central da retina.
A artéria hialoide, que ocupa a fissura embrionária, regride em sua porção distal, enquanto sua porção proximal persiste como a artéria central da retina.
A embriologia ocular é um tema recorrente em provas de residência de oftalmologia e anatomia. O fechamento da fissura embrionária (ou fissura coroide) é um marco crítico; falhas nesse processo levam a colobomas. A artéria hialoide é o principal vaso do sistema vascular fetal, e sua transformação na artéria central da retina exemplifica como estruturas temporárias são reaproveitadas no desenvolvimento humano. Clinicamente, o conhecimento dessa transição ajuda a entender patologias como a oclusão da artéria central da retina e as anomalias de persistência vascular. A artéria central da retina é uma artéria terminal, o que significa que não possui anastomoses funcionais significativas, tornando a retina interna extremamente vulnerável a eventos isquêmicos.
Durante o desenvolvimento fetal, a artéria hialoide é responsável por suprir a túnica vasculosa lentis, que nutre o cristalino em crescimento antes da formação do humor aquoso. Ela corre através do canal de Cloquet no corpo vítreo primitivo. Por volta da sétima semana de gestação, a fissura embrionária se fecha, englobando a artéria. Com o desenvolvimento das estruturas oculares, a porção distal da artéria hialoide sofre apoptose e regride totalmente antes do nascimento, deixando apenas a porção proximal que se torna a artéria central da retina.
A falha na regressão da vasculatura fetal resulta na Persistência da Vasculatura Fetal Hiperplásica (PVFH), anteriormente chamada de Vítreo Primário Hiperplásico Persistente (VPHP). Clinicamente, isso pode se manifestar como leucocoria (reflexo pupilar branco), microftalmia, catarata congênita e descolamento de retina tracional. É uma causa importante de diagnóstico diferencial de retinoblastoma em crianças, exigindo avaliação oftalmológica especializada imediata para prevenir ambliopia e perda visual grave.
A artéria central da retina penetra no nervo óptico aproximadamente 10 a 15 mm atrás do globo ocular. Ela viaja centralmente dentro do nervo, acompanhada pela veia central da retina. Ao atingir o disco óptico, ela se divide em ramos superior e inferior, que se subdividem em ramos temporais e nasais para suprir as camadas internas da retina. Essa configuração anatômica é crucial, pois qualquer compressão ou oclusão nesse trajeto intra-neural pode levar à perda súbita e indolor da visão.
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