MedEvo Simulado — Prova 2026
Um lactente de 5 meses de idade é levado ao pronto-atendimento com história de estridor respiratório bifásico e ruídos ventilatórios persistentes desde as primeiras semanas de vida. A mãe relata que os sintomas pioram significativamente durante a amamentação e quando a criança é colocada em decúbito dorsal, notando que o bebê frequentemente mantém o pescoço em hiperextensão para facilitar a respiração. Não há história de cianose ou crises de apneia. Ao exame físico, apresenta estridor inspiratório e expiratório, sem sinais de desconforto respiratório agudo no momento. Os pulsos em membros superiores e inferiores são simétricos e normais. Foi realizado um esofagograma (estudo contrastado com bário) que revelou indentações bilaterais e uma compressão posterior extrínseca no esôfago, ao nível da transição entre o terço superior e médio. A broncoscopia demonstrou uma compressão pulsátil na parede anterior e posterior da traqueia distal. Com base nos achados clínicos e de imagem, o diagnóstico mais provável é:
Estridor bifásico + Piora na amamentação + Compressão posterior no esofagograma = Arco Aórtico Duplo.
O arco aórtico duplo é a causa mais comum de anel vascular sintomático, formando um anel completo que circunda e comprime a traqueia e o esôfago.
Anéis vasculares são anomalias congênitas do arco aórtico que envolvem a traqueia e o esôfago. O arco aórtico duplo ocorre quando ambos os arcos embrionários persistem, formando um anel completo. É a forma mais comum de anel vascular que requer intervenção cirúrgica na infância. O diagnóstico diferencial inclui o arco aórtico à direita com ligamento arterioso à esquerda e o sling de artéria pulmonar, sendo a imagem (angio-TC ou angio-RM) essencial para o planejamento cirúrgico.
Diferente da laringomalácia, que causa estridor predominantemente inspiratório, o arco aórtico duplo causa estridor bifásico (inspiratório e expiratório) devido à compressão fixa da traqueia distal. Os sintomas frequentemente pioram durante a alimentação ou em decúbito dorsal, e a criança pode adotar uma posição de hiperextensão cervical para aliviar a obstrução.
O esofagograma com bário é um exame de triagem excelente para anéis vasculares. No arco aórtico duplo, ele revela indentações bilaterais no esôfago e, crucialmente, uma compressão posterior. Isso o diferencia de outras anomalias, como a artéria inominada anômala, que causa apenas compressão traqueal anterior sem afetar o esôfago.
O tratamento é cirúrgico e consiste na divisão do arco menor (geralmente o esquerdo) para abrir o anel vascular e liberar a compressão sobre a traqueia e o esôfago. A cirurgia é indicada em pacientes sintomáticos para prevenir complicações respiratórias crônicas e facilitar a alimentação.
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